Analfabetismo entre jovens com deficiência é 12 vezes maior que entre os sem deficiência, aponta IBGE
Dados do Censo Demográfico de 2022 divulgados pelo IBGE mostram que o analfabetismo atinge 12,2% das pessoas com deficiência de 15 a 29 anos, contra 1% entre as sem deficiência. A frequência escolar também é menor nesse grupo, e as matrículas de pessoas com deficiência no ensino superior quase triplicaram entre 2014 e 2024.

A taxa de analfabetismo entre pessoas com deficiência de 15 a 29 anos era de 12,2% em 2022, doze vezes o índice de 1% registrado entre os jovens sem deficiência.
Dados do Censo Demográfico de 2022 mostram que a taxa chega a 12,2% na faixa de 15 a 29 anos e que a frequência escolar também é menor entre pessoas com deficiência
Analfabetismo varia conforme o tipo de deficiência
A taxa de analfabetismo entre pessoas com deficiência de 15 a 29 anos era de 12,2% em 2022, segundo o Censo Demográfico divulgado pelo IBGE. Entre os jovens sem deficiência na mesma faixa etária, o índice era de 1%, o que representa uma diferença de doze vezes.
Os dados mostram que o analfabetismo é mais concentrado entre pessoas com dificuldades associadas às funções mentais, grupo em que a taxa chega a 40,4%, e entre aquelas com mais de um tipo de deficiência, com 34%. Entre as pessoas com dificuldade de pegar objetos pequenos, o índice é de 31,3%; entre as com dificuldade de caminhar ou subir escadas, de 23,3%; e entre as com dificuldade de ouvir, de 10%.
Mesmo no grupo com a menor taxa de analfabetismo, formado por pessoas com alguma dificuldade de enxergar, o índice de 3,5% é mais do que o triplo do observado entre as pessoas sem deficiência. A pesquisadora do IBGE Luanda Botelho afirma que o recorte por faixa etária mostra que a desigualdade não se resume à questão geracional.
Frequência escolar é menor entre pessoas com deficiência
A presença na escola também é menor entre pessoas com deficiência. A frequência era de 92,6% entre crianças de 6 a 14 anos e de 79,5% entre jovens de 15 a 17 anos. Entre as pessoas sem deficiência, os índices são de 98,4% e 85,4%, respectivamente.
O grupo com deficiência profunda, descrito como aquele que não consegue de forma alguma escutar, ouvir, pegar objetos ou caminhar, é o menos incluído no sistema escolar. Nesse caso, a frequência cai para 82,3% entre crianças de 6 a 14 anos e para 65,6% entre jovens de 15 a 17 anos.
Segundo o Censo Escolar 2025, 57% das escolas tinham banheiro acessível, 30% contavam com sala de recursos multifuncionais e 26,2% dispunham de profissional de apoio. Considerando pelo menos um desses recursos, a proporção era de 78,5% das escolas.
Diferenças entre rede pública e privada
A distribuição dos recursos de acessibilidade varia conforme a rede de ensino. A rede privada tinha mais banheiros acessíveis, presentes em 64,4% das escolas, contra 54,8% na rede pública.


