Chilena dada como desaparecida na era Pinochet é encontrada viva após 50 anos
Bernarda Rosalba Vera Contardo, que constava como uma das 1.469 vítimas de desaparecimento forçado no Chile, teve seu paradeiro confirmado por um teste de DNA, revelando que ela viveu na Argentina e na Suécia.

Uma mulher chilena, tida como desaparecida há cinco décadas durante a ditadura de Augusto Pinochet, foi encontrada viva na Argentina, com 80 anos.
Bernarda Rosalba Vera Contardo, considerada vítima da ditadura, vive na Argentina e teve sua identidade confirmada por teste de DNA.
A descoberta de Bernarda Vera
A chilena Bernarda Rosalba Vera Contardo, que por décadas foi considerada uma das vítimas de desaparecimento forçado da ditadura de Augusto Pinochet, foi encontrada viva na Argentina. Com 80 anos, ela reside no país vizinho, contrariando os registros oficiais que a listavam entre os mortos ou desaparecidos. Seu paradeiro foi perdido em outubro de 1973, logo após o golpe de Estado no Chile.
A confirmação de que se trata da mesma pessoa veio por meio de um relatório pericial de DNA, ordenado pelo ministro extraordinário chileno para causas de direitos humanos, Álvaro Mesa Latorre. Os testes genéticos, comparando o perfil de Bernarda com amostras de seus familiares, indicaram uma probabilidade de identificação superior a 99,9999%, segundo a Justiça chilena. A emissora Chilevisión a localizou em Miramar, Argentina, em meados do ano passado, e ela teria concordado em realizar o teste através de um tribunal em Mar del Plata.
A versão oficial do desaparecimento
Em 1973, Bernarda Vera tinha 27 anos, era casada, mãe de uma filha de cinco anos e trabalhava como professora. Ela era militante ativa do Movimento de Esquerda Revolucionário (MIR) e do Movimento Camponês Revolucionário (MCR). A Comissão da Verdade e Reconciliação, estabelecida em 1990 para investigar violações de direitos humanos durante a ditadura, recebeu o testemunho de seus pais, que haviam perdido contato com ela.
O Relatório Rettig, publicado em 1991, incluiu Bernarda Vera entre as 1.469 vítimas de desaparecimento forçado. O documento indicava que ela foi detida por militares em 10 de outubro de 1973, em Liquiñe, e supostamente executada com outras 15 pessoas na ponte de Villarrica sobre o rio Toltén. O relatório mencionava que ela estava sendo intensamente procurada pelas autoridades militares e que seus familiares foram informados de uma condenação à morte à revelia.
A vida em exílio e a versão alternativa
Dúvidas sobre o desaparecimento de Bernarda Vera surgiram com o testemunho de José Manuel Bravo, ex-membro do MIR. Ele relatou que um grupo de militantes, incluindo Bernarda, conseguiu escapar dos militares em outubro de 1973 e fugiu para as montanhas. Bravo, em seu livro de 2012, afirmou ter permanecido com ela nas montanhas até dezembro de 1973, dois meses após sua suposta detenção.


