Dilermando Reis, o violonista que levou o violão solo ao rádio, é homenageado em Brasília
O violonista Alessandro Borges apresenta no Clube do Choro de Brasília o espetáculo "Especial Dilermando Reis – 110 anos: Sob o Céu de Brasília", com participação da cantora Pilar Acosta. A homenagem revisita a trajetória do compositor que estreou no rádio em 1935 e manteve na Rádio Nacional o programa "Sua Majestade, o Violão", no ar por 13 anos.

Nascido em Guaratinguetá em 22 de setembro de 1916, Dilermando Reis criou a primeira orquestra de violões de que se tem notícia no país e ganha homenagem nesta terça-feira, às 20h, em Brasília.
Espetáculo no Clube do Choro celebra os 110 anos de nascimento do compositor de "Se ela perguntar" e "Dois destinos", resultado de mais de 20 anos de pesquisa do violonista Alessandro Borges
Da infância em Guaratinguetá ao violão solo no rádio
Dilermando Reis nasceu em Guaratinguetá, no interior paulista, em 22 de setembro de 1916. Filho de violonista, aprendeu a tocar ainda criança. Aos 18 anos, mudou-se para o Rio de Janeiro, onde iniciou a vida profissional dando aulas em lojas de instrumentos.
Em 1935, começou a trabalhar no rádio, primeiro na Rádio Guanabara e, logo depois, na Rádio Transmissora, onde mantinha um programa de violão solo — uma novidade para a época. Cinco anos mais tarde, foi contratado pela Rádio Clube do Brasil, onde criou a primeira orquestra de violões de que se tem notícia no país.
"Sua Majestade, o Violão" e o repertório que atravessou gerações
Foi na Rádio Nacional que Dilermando Reis estreou, em 1956, um programa próprio: "Sua Majestade, o Violão", que permaneceu 13 anos no ar. Ao longo da carreira, gravou diversos discos com composições próprias e de outros violonistas.
Entre suas obras mais conhecidas estão a valsa "Se ela perguntar" e o choro "Dois destinos". Ele também teve papel importante na difusão de peças de outros compositores, como "Abismo de Rosas", de Canhoto. Considerado por muitos o maior violonista brasileiro, influenciou gerações de músicos e morreu em 1977, aos 60 anos, de problemas cardíacos.
A homenagem no Clube do Choro de Brasília
Nesta terça-feira, às 20h, o Clube do Choro de Brasília recebe o espetáculo "Especial Dilermando Reis – 110 anos: Sob o Céu de Brasília". O violonista Alessandro Borges homenageia a obra do compositor, em trabalho que reúne mais de 20 anos de pesquisa sobre o repertório e a trajetória de Dilermando.
A apresentação tem participação especial da cantora Pilar Acosta. Segundo Borges, a homenagem é uma forma de retribuir o legado do violonista. "Todo mundo do violão-solo no Brasil conhece Dilermando", afirma.
O legado preservado por intérpretes e pesquisadores
Para Alessandro Borges, Dilermando Reis está entre os maiores violonistas brasileiros e um dos mais conhecidos na história do país. Nascido em Guaratinguetá, ele participou do início da era do rádio e foi por meio desse veículo que se tornou uma das principais referências do instrumento, influenciando sua geração.


