El Niño e a frente de rajada: a conexão com ventos extremos no Brasil
A ocorrência de fortes ventos no Sudeste do Brasil, que resultaram em mortes e danos, está indiretamente ligada ao fenômeno El Niño. Meteorologistas explicam que o El Niño intensifica sistemas e eleva temperaturas, criando condições para frentes de rajada.

Ventos de mais de 120 km/h atingiram São Paulo e Rio de Janeiro, causando mortes, apagões e interrupções em serviços essenciais na última quarta-feira.
Fenômeno climático intensifica sistemas meteorológicos, contribuindo para rajadas de mais de 120 km/h que causaram mortes e destruição no Sudeste.
Impactos dos ventos extremos no Sudeste
Fortes ventos atingiram as regiões de São Paulo e Rio de Janeiro na última quarta-feira, resultando em ao menos cinco mortes, apagões generalizados, quedas de árvores e interrupções em serviços essenciais. As rajadas de vento superaram 120 km/h no interior paulista e alcançaram aproximadamente 100 km/h na capital fluminense, forçando a suspensão de pousos e decolagens no Aeroporto Santos Dumont durante o pico da intensidade.
A Defesa Civil de São Paulo emitiu alertas para o risco de quedas de árvores e destelhamentos. Os aeroportos de Congonhas e Guarulhos também registraram atrasos e alterações em suas programações devido à força dos ventos. No Rio de Janeiro, a ventania de 105 km/h no Galeão causou interrupções no fornecimento de energia, afetou trens e metrôs, e levou ao fechamento temporário da Ponte Rio-Niterói.
O fenômeno da frente de rajada
As intensas ventanias são classificadas na meteorologia como frente de rajada, um fenômeno provocado pelo grande contraste entre duas massas de ar com características muito distintas. O Sudeste brasileiro vivenciava um período de calor e tempo seco quando uma frente fria, acompanhada de ar mais frio e úmido, começou a avançar pela Região Sul em direção à área.
O choque térmico entre o ar quente e seco predominante e o ar frio e úmido trazido pela frente fria acelerou o fluxo de ar, gerando os ventos de alta velocidade. Marcelo Seluchi, coordenador-geral de operações e modelagem do Cemaden, explicou que a frente de rajada é causada por uma linha de instabilidade, uma sequência de tempestades que se forma na frente fria e se desprende, avançando rapidamente.
A influência indireta do El Niño
Embora seja complexo estabelecer uma ligação direta entre os ventos recentes e o El Niño sem estudos aprofundados, meteorologistas apontam uma relação indireta. O El Niño, caracterizado pelo aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico Equatorial, altera a circulação atmosférica e pode influenciar padrões de temperatura e chuva no Brasil.
Segundo Seluchi, o El Niño não causa diretamente mais linhas de instabilidade ou frentes de rajada, mas contribui para uma maior estacionariedade das frentes frias na Região Sul. Essa condição prolongada pode levar a situações de severidade, como chuvas intensas, granizo e vendavais. Francisco de Assis Diniz, do Inmet, acrescenta que o El Niño tende a intensificar os sistemas, resultando em temperaturas mais extremas. A combinação de regiões muito aquecidas com a chegada de frentes frias gera o forte contraste térmico que impulsiona os ventos.


