Fifa abandona plano de investimento privado em competições após forte oposição
O presidente da Fifa, Gianni Infantino, anunciou o abandono da proposta de criar uma subsidiária comercial para gerir os principais eventos da entidade, como as Copas do Mundo masculina e feminina. A decisão veio após uma reação negativa de confederações como Uefa, Concacaf e AFC, além de renúncias e críticas internas, que inviabilizaram a aprovação do projeto.

A Fifa desistiu de seu plano de permitir investimento privado em suas principais competições, incluindo a Copa do Mundo, após enfrentar ampla oposição de confederações e membros da própria entidade.
A proposta de criar uma subsidiária comercial para gerir eventos como a Copa do Mundo foi retirada em cinco dias devido à rejeição de confederações e figuras internas.
Fifa recua de plano de investimento
O presidente da Fifa, Gianni Infantino, anunciou nesta sexta-feira (31/7) a desistência do plano de permitir a entrada de investidores privados nas principais competições da entidade. A decisão foi tomada após o projeto enfrentar ampla oposição, gerando divisões e não atendendo mais ao interesse original, segundo Infantino.
A proposta previa a criação de uma subsidiária comercial, a Fifa Forward Enterprise (FFE), que administraria eventos como as Copas do Mundo masculina e feminina. Investidores externos poderiam adquirir participações minoritárias na nova empresa, sem controle acionário, com a promessa de elevar os repasses às associações-membro.
Oposição unificada das confederações
A rejeição ao plano foi liderada por importantes confederações de futebol. A Uefa, que representa 55 associações europeias, votou por boicotar as Copas do Mundo caso a proposta fosse adiante. A Concacaf, responsável pelo futebol na América do Norte, Central e Caribe, também rejeitou a iniciativa, e a Confederação Asiática de Futebol (AFC) manifestou solidariedade à Uefa e Concacaf.
A união dessas confederações representaria 136 votos contrários ao plano, tornando sua aprovação improvável, já que a Fifa precisaria do apoio de pelo menos 106 das 211 associações-membro. A Conmebol, da América do Sul, havia solicitado informações adicionais sobre a proposta, enquanto as entidades da África (CAF) e Oceania (OFC) ainda iriam discutir o assunto.
Críticas internas e renúncias
Além da oposição externa, o plano gerou críticas e renúncias dentro da própria Fifa. Carlos Cordeiro, principal assessor de Infantino para estratégia global e governança, renunciou ao cargo, classificando a proposta como um "mau negócio para o futebol" que "hipotecaria o futuro do esporte". Ele afirmou que se opunha "de forma inequívoca" à ideia de que a Fifa precisava de investidores externos.
Kevin Lamour, diretor de operações da Fifa, descreveu a iniciativa como "o projeto de uma única pessoa" e afirmou que a administração da entidade havia sido "enganada" sobre o projeto. Ele ressaltou que um presidente deve unir as pessoas, e não dividi-las, indicando um racha significativo na liderança da organização.


