Fifa reconhece "erros" em projeto privado, mas mantém apoio a Infantino
A Federação Internacional de Futebol (Fifa) reconheceu falhas na gestão de um controverso projeto de investimentos privados, mas reiterou seu suporte a Gianni Infantino. A decisão gerou ceticismo na imprensa europeia, que critica a administração do dirigente.

A Fifa admitiu "erros" após o vazamento de um projeto de investimentos privados, mas reafirmou seu "apoio total" ao presidente Gianni Infantino.
A entidade máxima do futebol mundial tenta conter a crise após vazamento de plano de investimentos, enquanto a imprensa europeia questiona a permanência do presidente.
Fifa admite falhas e defende presidente
A Federação Internacional de Futebol (Fifa) reconheceu na quarta-feira (5) que "foram cometidos erros" após o vazamento de um projeto controverso envolvendo investimentos privados. Apesar da admissão, a entidade reafirmou seu "apoio total" ao presidente Gianni Infantino, conforme comunicado divulgado após uma reunião sobre a crise da instituição em Rabat, no Marrocos, com um pequeno grupo de diretores.
O documento, que também foi enviado ao Conselho da Fifa e às 211 federações nacionais membros, expressou "sinceras desculpas por esses erros" e prometeu evitar a repetição de tais falhas. Contudo, a Fifa também advertiu que "não tolerará mais qualquer ataque à sua integridade, à sua boa governança e ao respeito de seus procedimentos", e que tomará "todas as medidas necessárias para proteger e preservar seu nome e reputação" contra os meios de comunicação internacionais que denunciam o estilo de governança de seu presidente.
Imprensa europeia questiona governança de Infantino
A decisão da Fifa de manter o apoio a Infantino, mesmo após a crise, gerou ceticismo na imprensa europeia. O jornal francês Le Monde, por exemplo, publicou que "Infantino se agarra ao seu trono na Fifa", criticando o que descreve como um estilo de governança solitário do presidente. A atmosfera, segundo o diário, é "digna de uma obra de George Orwell" devido às ameaças da Fifa à mídia.
Para o Le Parisien, o apoio institucional não foi suficiente para dissipar o isolamento de Infantino, especialmente após as críticas das federações regionais de futebol ao projeto de privatização das competições internacionais. O diário aponta que a crise expõe uma administração opaca, distante das promessas de transparência feitas por Infantino ao assumir o cargo em 2016. O Le Figaro chegou a afirmar que Infantino está "à beira de um precipício", passando de um presidente todo-poderoso a ser visto como um pária.
Crescem apelos pela saída do dirigente
A pressão pela renúncia de Gianni Infantino tem aumentado, com figuras proeminentes do futebol e da política manifestando-se. O ex-jogador português Luís Figo, em coluna de opinião no Daily Mail, declarou que "Infantino deve sair", descrevendo-o como um "vestígio do passado que não deve fazer parte do futuro". O príncipe Ali bin Al-Hussein, presidente da Federação Jordaniana de Futebol, acusou Infantino de "chantagem" na terça-feira.


