Milei não pedirá desculpas ao Brasil após reclamação de Lula, afirma imprensa argentina
A imprensa argentina classificou a situação como a "maior crise diplomática do último meio século" entre Argentina e Brasil, após Milei criticar o presidente Lula e um ministro do STF em São Paulo. O Itamaraty reagiu convocando o embaixador argentino e chamando o embaixador brasileiro em Buenos Aires.

O governo argentino não emitirá pedido de desculpas ao Brasil pelas declarações do presidente Javier Milei, intensificando uma crise diplomática sem precedentes em décadas.
Declarações do presidente argentino em evento no Brasil geraram a "maior crise diplomática do último meio século" entre os países.
Crise diplomática se aprofunda entre Brasil e Argentina
A imprensa argentina classificou a recente tensão entre os dois países como a "maior crise diplomática do último meio século", após declarações do presidente Javier Milei em São Paulo. Segundo o jornal La Nación, o governo argentino já comunicou que não haverá pedido de desculpas, nem por parte do embaixador em Brasília, Daniel Raimondi, nem do próprio presidente.
As declarações de Milei ocorreram durante um evento de confirmação da candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência, no sábado (25/07). Em um discurso de quase meia hora, o presidente argentino proferiu críticas ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, a quem chamou de "lixo careca", e ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), além de suas políticas sociais.
Reação brasileira e a postura de Milei
Em resposta aos comentários, o Ministério das Relações Exteriores do Brasil convocou o embaixador argentino Daniel Raimondi para expressar a "repulsa" do governo brasileiro. O Itamaraty também chamou o embaixador do Brasil em Buenos Aires, Julio Bitelli, para prestar esclarecimentos sobre o estado das relações bilaterais.
Apesar da reação brasileira, o artigo do La Nación indica que a decisão de não pedir desculpas é firme. Fontes diplomáticas brasileiras, citadas pelo Clarín, teriam classificado os atos de Milei como uma ofensa aos poderes Executivo e Judiciário e ao povo brasileiro, algo "inédito em décadas de relações bilaterais", superando até mesmo períodos de rivalidade entre governos militares.
Dois dias após o incidente, Milei continuou a compartilhar publicações em sua conta no X (antigo Twitter) com críticas a Lula, referindo-se a ele como "ex-presidiário" e fundador do Foro de São Paulo, além de questionar a inelegibilidade de Bolsonaro. Ele também expressou repulsa por aqueles que "vieram se desculpar com Lula".
Detalhes das declarações e agenda de Milei
Durante o evento em São Paulo, Milei criticou Alexandre de Moraes por ter negado um pedido de visita a Jair Bolsonaro, que está em prisão domiciliar. O presidente argentino também associou a candidatura de Flávio Bolsonaro a uma "transformação política em curso" na América Latina, defendendo que países da região estão se alinhando à direita e abandonando a esquerda.


