Mulheres redefinem fluxos migratórios na Europa e Ásia Central
Um novo relatório da ONU Mulheres revela que as mulheres são maioria nos fluxos migratórios da Europa e Ásia Central, buscando educação, trabalho digno e segurança. Apesar de sua crescente autonomia, elas enfrentam barreiras significativas, incluindo superqualificação profissional, empregos informais e alta vulnerabilidade ao tráfico humano. O estudo aponta a necessidade de uma governança migratória que considere as especificidades de gênero para mitigar desigualdades estruturais.

Mulheres representam 54% dos migrantes na Europa e Ásia Central, impulsionando novas dinâmicas de deslocamento em busca de melhores condições de vida.
Relatório da ONU Mulheres destaca que elas representam 54% dos migrantes na região, buscando educação, trabalho e segurança, mas enfrentam desafios como superqualificação e tráfico humano.
A nova face da migração feminina
O relatório da ONU Mulheres revela uma mudança significativa nos padrões migratórios na Europa e Ásia Central, onde as mulheres agora constituem 54% de todos os migrantes. Essa região atua como ponto de origem, trânsito e destino, com mais de 13 milhões de mulheres nascidas na área vivendo no exterior e mais de 9,5 milhões de migrantes de outras partes do mundo residindo ali.
Ao contrário de tendências anteriores, as mulheres estão se deslocando cada vez mais por motivações próprias, como a busca por educação, trabalho digno, oportunidades econômicas e segurança, e menos por razões estritamente familiares. Belén Sanz Luque, diretora regional da ONU Mulheres para a Europa e Ásia Central, enfatiza que essa realidade desmistifica a ideia de que a migração é neutra em relação ao gênero, com as mulheres atuando como estudantes, trabalhadoras, cuidadoras, empreendedoras, refugiadas e líderes comunitárias.
Desafios em um cenário geopolítico complexo
A alteração nos padrões migratórios ocorre em um contexto geopolítico instável, influenciado pela guerra na Ucrânia, tensões no Sul do Cáucaso e dinâmicas pós-conflito nos Bálcãs Ocidentais. Entre 2022 e 2024, as mulheres representaram 61% dos migrantes que chegaram à União Europeia vindos da Moldávia e 56% dos que partiram da Ucrânia. Os principais destinos incluem Alemanha, Itália, República Tcheca, Espanha e Portugal.
Apesar de buscarem avanço educacional e profissional, muitas mulheres migrantes enfrentam a superqualificação em seus novos países. Mais da metade das estudantes do exterior vindas da Turquia e dos Bálcãs Ocidentais são mulheres, mas 55% das migrantes em Kosovo, 50% na Albânia e quase 45% na Macedônia do Norte ocupam cargos abaixo de suas qualificações acadêmicas. Essa disparidade evidencia desigualdades estruturais e insegurança no status legal.
Vulnerabilidade no mercado de trabalho e tráfico humano
O envelhecimento populacional na Europa e Ásia Central gera alta demanda em setores como cuidados de longa duração, trabalho doméstico, hotelaria e comércio varejista. Entre 30% e 50% das mulheres migrantes do Quirguistão e do Tadjiquistão atuam nessas áreas, que frequentemente oferecem empregos informais. Essa informalidade as expõe a riscos como roubo de salários, condições precárias de trabalho, exploração e violência de gênero. Na Turquia, por exemplo, mulheres migrantes recebem apenas 27,2% das autorizações de trabalho emitidas, apesar de representarem uma parcela significativa da população migrante.


