Museu de Oxford devolverá fósseis brasileiros ao Museu Nacional
Após o incêndio que devastou o Museu Nacional em 2018, instituições globais têm colaborado para sua reconstrução. O Museu de História Natural da Universidade de Oxford, no Reino Unido, anunciou a doação definitiva de 62 fósseis brasileiros, incluindo peixes, insetos e algas, alguns com mais de 400 milhões de anos. A iniciativa visa recompor parte do acervo perdido e fortalecer a pesquisa científica no Brasil.

O Museu de História Natural da Universidade de Oxford decidiu enviar 62 fósseis brasileiros de sua coleção de volta ao Brasil para ajudar na recuperação do acervo do Museu Nacional.
Instituição britânica enviará 62 espécimes para auxiliar na reconstrução do acervo destruído em incêndio de 2018.
Solidariedade internacional para o Museu Nacional
A paleontóloga Emma Nicholls, gerente de coleções do Museu de História Natural da Universidade de Oxford, no Reino Unido, expressa emoção ao relembrar o incêndio de 2 de setembro de 2018 no Museu Nacional, no Rio de Janeiro. O desastre, ocorrido há cerca de oito anos, destruiu mais de 80% do acervo da mais antiga instituição científica do Brasil, resultando em perdas consideradas irreparáveis.
Desde o ocorrido, diversas instituições ao redor do mundo têm se mobilizado para contribuir com a restauração do acervo brasileiro. O Museu de História Natural de Oxford é uma delas, tendo decidido enviar de forma definitiva 62 fósseis que estavam em sua posse há décadas, como um gesto de apoio à recuperação do patrimônio científico.
Detalhes dos fósseis que retornam ao Brasil
A decisão de ajudar o Museu Nacional foi unânime entre os curadores de Oxford. Um levantamento inicial identificou 118 fósseis de origem brasileira na coleção do museu britânico, que chegaram em duas etapas: a primeira, do Paraná, coletada em 1979 por J. A. Cartwright; e a segunda, do Ceará, descoberta em 1993 por Philip Powell.
Os espécimes são variados, incluindo peixes encapsulados em rocha com estruturas tridimensionais preservadas, insetos, algas e rastros de animais extintos. Alguns desses fósseis possuem mais de 400 milhões de anos, sendo anteriores aos dinossauros. Segundo Nicholls, as peças estão em excelente estado de conservação e serão valiosas para pesquisas sobre o passado das regiões de onde vieram, com o envio programado para ocorrer "assim que possível".
Critérios para a seleção e o gesto de apoio
Para determinar quais fósseis seriam enviados ao Brasil, o museu de Oxford aplicou dois critérios principais. Foram mantidos no Reino Unido os espécimes atualmente em uso para pesquisa e aqueles considerados "espécimes-tipo", que servem como referência formal para descrições científicas e estão vinculados à coleção de Oxford. A manutenção desses últimos é importante para permitir a rastreabilidade e replicação de estudos originais.
Após essa seleção, um total de 62 fósseis foi destinado ao Museu Nacional. Emma Nicholls enfatiza que a iniciativa é uma contribuição "singela e humilde", com o objetivo principal de apoiar o museu brasileiro e fazer o que estiver ao alcance para auxiliar na recuperação de suas coleções.


