Receita arrecada R$ 3,1 bilhões com IR sobre dividendos até julho
A arrecadação com o imposto sobre dividendos, criado para compensar a isenção do IR até R$ 5 mil, soma R$ 3,145 bilhões até julho, abaixo da previsão. Receita atribui a diferença à sazonalidade e revisará projeções em setembro.

De janeiro a julho, a Receita Federal arrecadou R$ 3,145 bilhões com a tributação de dividendos, apenas 18,3% da meta revisada de R$ 17,2 bilhões para o ano.
Valor equivale a 18,3% da previsão revisada para 2026; Fisco vê incerteza e projeta revisão em setembro
Arrecadação abaixo da meta
A Receita Federal arrecadou R$ 3,145 bilhões com o Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF) sobre dividendos entre janeiro e julho de 2026. O montante representa 18,3% da previsão revisada de R$ 17,2 bilhões para o ano, conforme o Relatório Bimestral de Avaliação de Receitas e Despesas divulgado em julho.
Do total arrecadado, R$ 2,043 bilhões vieram de dividendos pagos a residentes no Brasil e R$ 1,102 bilhão de valores pagos ou remetidos ao exterior. Somente em julho, a arrecadação foi de R$ 906,65 milhões, o maior resultado mensal desde o início da cobrança.
Evolução mensal e sazonalidade
A arrecadação cresceu mês a mês: janeiro registrou R$ 5,5 milhões, fevereiro R$ 151,5 milhões, março R$ 306,6 milhões, abril R$ 421,5 milhões, maio R$ 651,9 milhões, junho R$ 701,5 milhões e julho R$ 906,65 milhões. A parcela de dividendos remetidos ao exterior também aumentou, passando de R$ 5 milhões em janeiro para R$ 419,28 milhões em julho.
O chefe do Centro de Estudos Tributários e Aduaneiros da Receita Federal, Claudemir Malaquias, afirmou que não há fundamentos técnicos para dizer que a arrecadação está abaixo do esperado. Segundo ele, a distribuição de dividendos é um ato voluntário das empresas, sem data predeterminada, o que torna a receita irregular ao longo do ano.
Nova regra e impacto nas contas
A tributação dos dividendos começou a valer em 1º de janeiro de 2026, após a Lei 15.270, de novembro de 2025. Para pessoas físicas residentes no Brasil, incide IR de 10% sobre lucros e dividendos pagos por uma mesma empresa a uma mesma pessoa no mesmo mês, quando o valor ultrapassa R$ 50 mil a cada 30 dias. Para valores pagos ou remetidos ao exterior, a alíquota também é de 10%.
A medida foi criada para compensar a ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda da Pessoa Física (IRPF), que passou a beneficiar quem recebe até R$ 5 mil por mês, além da redução do imposto para rendas de até R$ 7.350. A equipe econômica estimou uma perda de arrecadação de R$ 28,04 bilhões em 2026 com a isenção.
Revisão em setembro
Questionado sobre a necessidade de arrecadar cerca de R$ 14 bilhões entre agosto e dezembro para atingir a meta revisada, Malaquias afirmou que a Receita segue o calendário oficial de acompanhamento das contas públicas. Ele destacou que a projeção é revisada a cada dois meses, com base nos dados de distribuição de dividendos apresentados pelas empresas.


