Sem acordo contra secas, comunidades vão sofrer, avaliam especialistas
A 17ª Conferência da ONU sobre Desertificação terminou sem criar mecanismo global para secas, frustrando especialistas que preveem sofrimento para comunidades e economias.

A COP17 terminou sem acordo global contra secas, adiando a decisão para 2028 e gerando alerta sobre impactos em comunidades vulneráveis.
COP17 termina sem estratégia global e adia decisão para 2028
Frustração com o resultado da COP17
A 17ª Conferência das Nações Unidas de Combate à Desertificação (COP17), encerrada em 28 de agosto em Ulaanbaatar, na Mongólia, deixou um saldo de frustração entre organizações ambientais e especialistas. A principal queixa foi o novo adiamento de um acordo global para lidar com as secas, empurrado para a COP18, que ocorrerá no Egito.
Rafael Giovanelli, do Instituto Escolhas, classificou o resultado como um 'sabor amargo', pois a conferência terminou sem decisões substanciais. Richard Lee, da Wetlands International, destacou que a falta de consenso ocorre em um momento de aumento de desastres climáticos, citando a seca histórica na Europa e os níveis recordes baixos do Rio Colorado, nos Estados Unidos.
Disputa entre países ricos e vulneráveis
A proposta de um mecanismo multilateral para enfrentar secas é defendida por países africanos há pelo menos três conferências, pois o continente é um dos mais afetados. Eles pedem ajuda financeira para que nações vulneráveis possam se antecipar e se recuperar de eventos extremos, argumentando que fundos como o GEF são focados em degradação da terra, não especificamente em seca.
Países ricos, no entanto, resistem a um acordo obrigatório, preferindo adesão voluntária. A União Europeia, por exemplo, evita compromissos financeiros externos enquanto enfrenta crises de seca em seu próprio território.
Iniciativas paralelas tentam preencher lacuna
Durante a COP17, foram lançadas iniciativas para lidar com a seca, como o Mecanismo de Investimento para Resiliência à Seca (DRIF), que busca mobilizar até US$ 400 milhões para segurança hídrica, agricultura sustentável e recuperação de terras. A plataforma é apoiada pela UNCCD e Luxemburgo.
Outra novidade foi a segunda fase do Observatório Internacional de Resiliência à Seca (IDRO), que apresentou o Índice de Resiliência à Seca (DRI), ferramenta para países avaliarem sua capacidade de antecipar e se adaptar à escassez de água. Christine Colvin, da WWF Global, ressaltou que ações isoladas não bastam e que a falta de ambição na COP17 enfraquece a base para avanços.
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