Sobrevivente do 11 de Setembro relata fuga das Torres Gêmeas 25 anos depois
Em relato à BBC News Mundo, o colombiano-alemão Hans Gernot Schenk, hoje com 55 anos, conta como chegou atrasado ao World Trade Center e sobreviveu aos ataques, enquanto dois colegas de escritório morreram.

Hans Gernot Schenk trabalhava no 32º andar da Torre Norte do World Trade Center e chegou cerca de dez minutos mais tarde ao escritório em 11 de setembro de 2001.
Colombiano-alemão Hans Gernot Schenk chegou dez minutos mais tarde ao World Trade Center e escapou dos ataques que mataram dois colegas de escritório
O atraso que mudou o desfecho
Hans Gernot Schenk trabalhava havia mais de um ano no World Trade Center, em Nova York, para uma empresa alemã de logística internacional. O escritório ficava no 32º andar da Torre Norte, o de número 3.271, e reunia cerca de 25 pessoas.
Poucos dias antes dos ataques, a empresa havia enviado um comunicado pedindo que os funcionários chegassem ao trabalho até as 9h, chamando a atenção para atrasos. Na noite anterior, Hans não dormiu em casa. Segundo ele, isso fez com que chegasse ao escritório cerca de dez minutos mais tarde do que o habitual.
Ao analisar os horários e os impactos dos aviões, ele afirma que esse intervalo teve influência no desfecho. A pessoa com quem se relacionava na época ainda lhe envia mensagem a cada 11 de setembro, lembrando que foi o jantar daquela noite que o fez chegar mais tarde.
A explosão entre as torres
Na manhã do ataque, Hans acordou cedo, passou em casa para se trocar e seguiu de metrô. Ao descer, caminhou por baixo das torres, onde havia um centro comercial com um restaurante em que costumava almoçar. Estava a cerca de 25 metros das portas giratórias de acesso ao saguão da Torre Norte quando viu pessoas correndo em pânico na sua direção.
Ele relata que a imagem das mulheres correndo com vestidos e bolsas foi muito forte e que pensou que algo grave havia acontecido. Ao sair para a rua, olhou para cima e viu fumaça preta, mas não compreendeu a dimensão do que via. Ficou parado entre as torres enquanto a praça se enchia de pessoas.
Hans não viu o segundo avião se chocar: viu a explosão surgir do outro lado do edifício. Ele descreve uma nuvem negra e vermelha, papéis e objetos voando e um barulho estrondoso. Sua reação imediata foi proteger a cabeça e correr. Entrou por uma escadaria próxima a uma estação de metrô, desceu em alta velocidade e saltou a catraca.
A volta para casa e a perda dos colegas
Na plataforma do metrô, Hans encontrou apenas uma senhora e a orientou a não sair para a rua. Desceu algumas estações adiante, na Canal Street, onde viu duas jovens chorando que lhe disseram que aviões comerciais haviam atingido as Torres Gêmeas. Sem entender o que acontecia, voltou às plataformas e seguiu para casa.


