A rainha rata-toupeira-pelada controla a reprodução da colônia com um composto químico
A forma como a rainha rata-toupeira-pelada mantém o controle reprodutivo de sua colônia foi desvendada por pesquisadores. Um "superanticoncepcional" químico afeta os hormônios das outras fêmeas, garantindo a coesão do grupo e a ordem social.

Cientistas identificaram o miristato de isopropila, um composto químico produzido pela rainha rata-toupeira-pelada, como o principal mecanismo para suprimir a reprodução de outras fêmeas na colônia.
Um novo estudo revela que o miristato de isopropila, produzido pela rainha, inibe a fertilidade de outras fêmeas e mantém a ordem social.
A complexa sociedade das ratas-toupeiras-peladas
As ratas-toupeiras-peladas, mamíferos originários da África, são conhecidas por sua eusocialidade, um sistema de organização social complexo. Elas vivem em colônias altamente estruturadas, onde uma única fêmea, a rainha, é responsável pela reprodução, enquanto os demais membros, machos e fêmeas, atuam como operários e cuidam dos filhotes.
Desde a década de 1980, os cientistas sabiam que a presença da rainha era fundamental para manter a ordem na colônia e para que as outras fêmeas tivessem sua capacidade reprodutiva reprimida. Contudo, o mecanismo exato por trás dessa supressão permanecia um mistério, com teorias que incluíam a intimidação física por parte da rainha.
Descoberta do "superanticoncepcional" químico
Uma nova pesquisa, liderada por Mohammed Khallaf do Centro Max Delbrück de Medicina Molecular, na Alemanha, começou a desvendar esse enigma. Observando o comportamento de farejar das ratas-toupeiras-peladas, Khallaf investigou se o olfato poderia ser a chave para sua eusocialidade, buscando identificar perfis químicos específicos.
O estudo culminou na descoberta do miristato de isopropila, um composto químico produzido pela rainha em concentrações significativamente mais altas do que nos indivíduos não reprodutores. Testes iniciais mostraram que fêmeas maiores evitavam o aroma dessa substância, indicando sua importância para a espécie.
Utilizando ultrassonografia funcional, os pesquisadores observaram que o odor do miristato de isopropila ativava o córtex olfativo e, em alguns casos, o hipotálamo no cérebro das ratas-toupeiras-peladas. O hipotálamo é responsável pelo controle hormonal, incluindo a prolactina, que reduz a fertilidade, e a progesterona, que a promove.
Impacto na reprodução e comportamento
Para confirmar o papel do miristato de isopropila, a equipe realizou experimentos com fêmeas não reprodutoras. Quando isoladas de suas colônias e dos odores, essas fêmeas se "desinibiram sexualmente" e engravidaram em poucas semanas. No entanto, fêmeas expostas ao miristato de isopropila não conceberam, levando os pesquisadores a descrever o composto como um "superanticoncepcional".


