Celular de Vorcaro vira novo embate entre ministros do STF
Após sucessivas quebras de sigilo no caso Master, o acesso ao conteúdo completo do celular do banqueiro Daniel Vorcaro se tornou novo ponto de atrito entre ministros do Supremo. Moraes, Zanin e Gilmar Mendes pediram a Edson Fachin a liberação integral das mídias; André Mendonça alega que o material está nos depósitos da PF para preservar a cadeia de custódia.

Três ministros do STF pediram ao presidente da Corte acesso integral ao conteúdo do celular de Daniel Vorcaro, enquanto o relator afirma que a mídia permanece lacrada na Polícia Federal.
Moraes, Zanin e Gilmar Mendes pedem a Fachin acesso integral ao conteúdo extraído do aparelho; Mendonça diz que mídia está lacrada na PF
O que cada ministro pediu
Em ofício encaminhado a Edson Fachin, Alexandre de Moraes apontou uma "escolha seletiva" de André Mendonça na retirada do sigilo e pediu a liberação imediata de todo e qualquer documento relacionado ao caso. Em dois ofícios separados, Moraes e Cristiano Zanin também solicitaram ao presidente do STF acesso ao conteúdo completo extraído do celular de Vorcaro, um iPhone 17 Pro apreendido pela Polícia Federal.
Zanin argumentou que a mídia solicitada está no gabinete do relator e deve ser compartilhada com os demais julgadores, para que todos tenham a mesma oportunidade de análise dos elementos do processo. No sábado (12/09), Gilmar Mendes reforçou o pedido em novo ofício a Fachin, endossando os fundamentos apresentados por Zanin.
No documento, o decano do STF solicitou que, caso Mendonça não disponibilize os dados, a presidência da Corte requisite com urgência à PF o envio das mídias diretamente aos gabinetes. Gilmar escreveu que a subsistência de acesso assimétrico ao acervo compromete a paridade entre os integrantes da Corte e a colegialidade que deve presidir o julgamento.
A resposta de Mendonça
Mendonça liberou, na noite de sexta-feira, o sigilo de outros processos envolvendo o Master, mas informou a Fachin que o celular de Vorcaro não está sob sua posse, e sim guardado nos depósitos da PF para preservar a cadeia de custódia da prova. O relator declarou que possui apenas uma cópia de segurança em disco rígido criptografado, que permanece lacrada.
Em novo ofício, Zanin contestou a justificativa do colega, sustentando que o lacre de uma cópia de segurança não impede o compartilhamento com os demais membros do STF.
O embate entre Moraes e Mendonça
Na semana anterior, Mendonça protagonizou um embate com Moraes no âmbito dessas investigações. Em 1º de setembro, por meio da petição 16.662, Mendonça levantou o sigilo de um relatório da PF com indícios de que Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, teria pedido conselhos e trocado informações com Moraes.
Dois dias depois, Moraes rebateu e retirou o sigilo de relatórios da inteligência da PF sobre supostas condutas irregulares de Mendonça, que teria agido contra Moraes e outros colegas de tribunal. Até então relator do Inquérito das Fake News, Moraes também havia pedido a inclusão de Mendonça nessa investigação.


