Copom corta Selic para 13,75% ao ano na quinta redução seguida
Por unanimidade, o Copom cortou a Selic em 0,25 ponto percentual, para 13,75% ao ano. O comunicado cita incerteza externa ligada aos conflitos no Oriente Médio e cautela de países emergentes. A inflação de agosto ficou negativa em 0,32%, mas o mercado projeta 4,9% para o ano, acima do teto da meta.

O Comitê de Política Monetária reduziu a taxa básica de juros em 0,25 ponto percentual, para 13,75% ao ano, na quinta queda consecutiva da Selic.
Decisão unânime ocorre em cenário de incerteza externa por causa da guerra no Oriente Médio e do início do El Niño
Copom reduz a Selic em 0,25 ponto e chega a 13,75% ao ano
O Comitê de Política Monetária do Banco Central cortou a taxa básica de juros em 0,25 ponto percentual, para 13,75% ao ano. A decisão foi unânime e já era esperada pelo mercado financeiro. É a quinta redução consecutiva da Selic.
No comunicado divulgado após a reunião, o colegiado afirma que o ambiente externo segue incerto por causa da indefinição sobre os conflitos armados no Oriente Médio e das dúvidas sobre a política monetária em algumas economias avançadas. Segundo o texto, esse cenário exige cautela de países emergentes em um ambiente marcado pela elevação da volatilidade dos preços de ativos e de commodities.
A taxa ficou em 15% ao ano entre junho de 2025 e março deste ano, o maior patamar em quase 20 anos. O Copom retomou os cortes em abril, quando a inflação começou a ceder. O agravamento da guerra no Oriente Médio e o início do El Niño, no entanto, dificultam o trabalho do comitê.
Inflação desacelera em agosto, mas segue acima da meta
O IPCA, índice usado como referência da inflação oficial, ficou negativo em 0,32% em agosto, o menor resultado em quatro anos, beneficiado pelo bônus de Itaipu nas contas de luz. No acumulado de 12 meses, o índice recuou para 4,22%, ante 4,44% em julho. Os preços dos alimentos caíram 0,34% no mês.
O comunicado do Banco Central afirma que os indicadores divulgados desde a reunião anterior mostram moderação gradual da atividade econômica, sobretudo em setores mais cíclicos, embora em patamar ainda resiliente, com mercado de trabalho aquecido. O texto registra que a inflação cheia e a média das medidas subjacentes desaceleraram, ficando abaixo do limite superior do intervalo de tolerância, mas ainda acima da meta.
Desde janeiro de 2025 vigora o sistema de meta contínua, com meta de 3% definida pelo Conselho Monetário Nacional e intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo — ou seja, de 1,5% a 4,5%. A apuração passou a ser mensal, considerando a inflação acumulada em 12 meses, e não mais restrita ao índice fechado de dezembro.
El Niño e guerra pressionam as previsões
O início do El Niño deve encarecer os alimentos nos próximos meses, o que representa um desafio adicional para a política monetária. No último Relatório de Política Monetária, divulgado no fim de junho, o Banco Central elevou de 3,9% para 5,2% a previsão do IPCA para 2026, mas a estimativa será revista por causa da queda recente da inflação.


