CVM multa Vorcaro em R$ 20 milhões por fraude em fundo imobiliário
A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) condenou, por unanimidade, o ex-banqueiro Daniel Vorcaro a pagar R$ 20 milhões por fraude no fundo imobiliário Brazil Realty. Banco Master e outros 14 acusados também foram punidos, totalizando R$ 201 milhões em multas.

A CVM condenou o ex-banqueiro Daniel Vorcaro a pagar R$ 20 milhões por fraude no fundo imobiliário Brazil Realty; multas somam R$ 201 milhões.
Banco Master e outros 14 acusados também foram condenados
Decisão unânime após processo de seis anos
A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) condenou, por unanimidade, o ex-banqueiro Daniel Vorcaro a pagar multa de R$ 20 milhões por irregularidades na emissão e distribuição de cotas do fundo imobiliário Brazil Realty. O julgamento ocorreu na sede da autarquia, no Rio de Janeiro, e também puniu o Banco Master com R$ 12,5 milhões. Ao todo, sete pessoas e nove empresas foram responsabilizadas, com multas que variam de R$ 5 milhões a R$ 24 milhões, somando R$ 201 milhões.
O processo foi instaurado em 2020 pela área técnica da CVM. O relator, diretor João Accioly, votou pela condenação, acompanhado pelos demais integrantes do colegiado. A sessão chegou a ser suspensa duas vezes por pedidos de vista, e houve tentativas de acordo que foram rejeitadas. Pedidos de adiamento feitos pelas defesas não foram acolhidos.
Esquema envolvia sobreavaliação e liquidez artificial
Segundo a acusação, o esquema consistia em sobreavaliar imóveis e outros ativos usados na composição do fundo. Na terceira emissão de cotas, iniciada em 2018, o Brazil Realty recebeu R$ 139,1 milhões, grande parte em ativos físicos. A CVM apontou que alguns desses bens tinham valores superiores aos adequados e que havia problemas na documentação das integralizações.
Após a colocação das cotas, empresas ligadas aos envolvidos teriam realizado operações no mercado secundário para criar liquidez artificial. A Entre Investimentos, por exemplo, fez 177 operações, com cerca de R$ 351 milhões em compras e R$ 358 milhões em vendas. Para a CVM, essa dinâmica permitia que investidores comprassem cotas com base em valores artificialmente elevados. A autarquia identificou R$ 5,8 milhões em prejuízos realizados por fundos que negociaram os ativos, incluindo fundos de previdência de servidores.
Defesa contesta e Banco Master é liquidado
A defesa de Daniel Vorcaro negou a existência de provas individualizadas de conduta irregular. A advogada Ana Paula Casagrande questionou a falta de elementos concretos que demonstrassem o uso de meios fraudulentos para induzir investidores a erro. Os acusados também sustentaram que as operações seguiram as regras do mercado. A CVM, no entanto, considerou os documentos suficientes para caracterizar a fraude.
O Banco Master, liquidado pelo Banco Central após a prisão de Vorcaro em novembro de 2025, participou da terceira emissão do fundo com cerca de R$ 16,8 milhões em dinheiro. Nas operações posteriores, a autarquia calculou resultado positivo de aproximadamente R$ 10,8 milhões para o banco. A Viking Participações teve ganho estimado em R$ 837 mil, enquanto as operações atribuídas diretamente a Vorcaro resultaram em prejuízo de cerca de R$ 6,8 milhões.


