Desmatamento na Amazônia atinge menor nível em oito anos, diz Imazon
Dados do Imazon revelam que o desmatamento na Amazônia Legal caiu 10% no primeiro semestre de 2026, atingindo o menor patamar em oito anos. A redução contrasta com as justificativas dos EUA para impor tarifas a produtos brasileiros.

A Amazônia registrou 1.145 quilômetros quadrados de desmatamento entre janeiro e junho de 2026, a menor área para o período em oito anos.
Redução de 10% no primeiro semestre de 2026 contrasta com justificativas dos EUA para tarifas.
Redução Histórica e Áreas Protegidas
O Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon) divulgou um levantamento que aponta uma significativa redução no desmatamento da Amazônia Legal. Entre janeiro e junho de 2026, a área desmatada totalizou 1.145 quilômetros quadrados, representando uma queda de 10% em comparação com o mesmo período do ano anterior. Este índice marca o menor registro para um primeiro semestre nos últimos oito anos. A redução é ainda mais expressiva quando comparada ao pico de 2022, alcançando 76%.
O estudo do Imazon também destacou a eficácia das áreas protegidas na contenção do desmatamento. Um total de 588 áreas protegidas na Amazônia, que incluem 330 terras indígenas e 258 unidades de conservação, não registraram desmatamento no período analisado. Isso corresponde a mais de 80% desses territórios. No entanto, as áreas protegidas ainda foram responsáveis por 97,37 quilômetros quadrados do desmatamento total na Amazônia no semestre, o que equivale a 8% do volume geral. Desse montante, 9,38 quilômetros quadrados ocorreram em terras indígenas e 87,99 quilômetros quadrados em unidades de conservação.
Contraste com Pressões Internacionais
A divulgação desses dados ocorre poucos dias após o governo dos Estados Unidos ter incluído o desmatamento ilegal como uma das justificativas para a imposição de uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros. Essa medida gerou uma resposta do governo brasileiro, que classificou as acusações como 'indevidas' e argumentou que os índices de desmatamento têm apresentado queda consistente desde 2023.
O levantamento do Imazon, ao indicar uma redução histórica no desmatamento, oferece um contraponto aos argumentos utilizados pelos Estados Unidos. Os números sugerem que as políticas e ações de combate ao desmatamento no Brasil podem estar surtindo efeito, o que pode influenciar futuras discussões sobre as relações comerciais e as pressões ambientais internacionais.
Desafios e Focos Críticos
Apesar da tendência geral de queda, o estudo do Imazon identificou áreas que continuam sob intensa pressão. A Área de Proteção Ambiental (APA) Triunfo do Xingu, localizada no Pará, foi apontada como o principal foco negativo, respondendo por metade do desmatamento registrado em todas as áreas protegidas da Amazônia no primeiro semestre. A região perdeu 47,85 km² de floresta entre janeiro e junho.
Outro ponto de preocupação é a Floresta Nacional (Flona) do Jamanxim, também no Pará, que foi a quinta unidade de conservação mais desmatada na Amazônia, com uma perda de 3,45 km² de floresta, o equivalente a quase 350 campos de futebol. A situação da Flona do Jamanxim é agravada pela recente aprovação, no Senado, de um projeto de lei que propõe a redução de sua área. A coordenadora do Programa de Direito e Sustentabilidade do Imazon, Brenda Brito, criticou a medida, afirmando que o Congresso Nacional estaria legislando para beneficiar invasores ilegais da unidade de conservação, criada em 2006. Ela defendeu o veto presidencial ao projeto, ressaltando a importância das unidades de conservação para conter o desmatamento e combater a crise climática.
Panorama Regional do Desmatamento
A análise do Imazon também detalhou a situação do desmatamento por estados na Amazônia Legal. Entre agosto de 2025 e junho de 2026, apenas dois dos nove estados registraram aumento nas taxas de desmatamento: Roraima, com um crescimento de 25%, e Maranhão, com 20%. Os demais sete estados apresentaram quedas significativas, variando de 67% em Tocantins a 27% em Mato Grosso.
Em termos de área total desmatada no período, o Pará liderou com 684 km², seguido por Mato Grosso com 509 km² e Amazonas com 378 km². Esses dados estaduais mostram uma heterogeneidade na dinâmica do desmatamento, com alguns estados conseguindo reverter a tendência de degradação, enquanto outros enfrentam desafios crescentes.
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Fonte e transparência
Esta matéria foi elaborada pelo PUJONE.COM a partir de informações publicadas por Feed Editoria.
Fonte original: https://agenciabrasil.ebc.com.br/meio-ambiente/noticia/2026-07/reducao-do-desmatamento-contrasta-com-argumentos-dos-eua-para-tarifaco
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