Dislexia, antes vista como defeito, impulsiona sucesso profissional de empresária
Aos 47 anos, Sam Bell, diagnosticada com dislexia, é proprietária de um salão de beleza e estilista para cinema e moda, empregando aprendizes e valorizando a neurodiversidade.

Sam Bell, que deixou a escola aos 17 anos devido à dislexia, transformou o que era visto como um obstáculo em um diferencial para sua carreira de sucesso.
Sam Bell, que abandonou a escola aos 17 anos, hoje comanda salão de beleza e atua como estilista, atribuindo à condição sua criatividade e comunicação.
Da dificuldade escolar ao diagnóstico
Sam Bell, aos 17 anos, deixou a escola após ser frequentemente rotulada por seus professores como "barulhenta, travessa demais e muito intensa". Apesar de sua personalidade extrovertida, ela sentia um medo paralisante de ler em voz alta para os colegas, o que a levava a se comportar mal na tentativa de ser expulsa da sala de aula. Ninguém na época percebeu que suas dificuldades poderiam estar ligadas a uma condição de aprendizagem.
Pouco tempo depois de abandonar os estudos, sem perspectivas claras de emprego, Bell recebeu o diagnóstico de dislexia. Essa revelação trouxe uma nova compreensão para suas experiências passadas, explicando os desafios que enfrentava na leitura e na sala de aula. Para ela, a dislexia não foi identificada durante sua fase escolar, o que resultou em uma falta de apoio adequado.
A dislexia como "superpoder" e a virada profissional
Atualmente com 47 anos, Sam Bell vê sua dislexia não como um defeito, mas como um "superpoder" que impulsionou seu sucesso profissional. Ela atribui à condição uma imaginação mais aguçada e uma facilidade notável para se comunicar, habilidades que se mostraram cruciais em sua carreira. Essa perspectiva transformadora permitiu que ela abraçasse suas características únicas.
Aos 17 anos, Bell conseguiu um emprego como aprendiz em um salão de beleza, motivada pela necessidade de trabalhar. Ela se surpreendeu ao descobrir que grande parte de seu trabalho envolvia conversar com os clientes, uma tarefa na qual se destacou. Essa experiência foi libertadora, pois a fez sentir-se boa em algo pela primeira vez, marcando o início de sua jornada no setor.
Empreendedorismo e inclusão no mercado de trabalho
Após mais de uma década aprendendo o ofício, Sam Bell abriu seu próprio salão de beleza em Bristol, na Inglaterra, em 2009. Além de gerenciar seu negócio, ela atua como estilista para produções de cinema, televisão e desfiles de moda em cidades como Londres, Paris, Nova York e Milão, penteando atores e celebridades. Sua trajetória demonstra a capacidade de alcançar o sucesso em áreas criativas e de comunicação.
Bell também se dedica a apoiar outros jovens com dislexia, contratando aprendizes anualmente em seu salão. Ela considera os programas de aprendizado uma excelente oportunidade para aqueles que não seguiram uma formação acadêmica tradicional. Tony Mitchell, um ex-aprendiz que trabalha com Bell há mais de dez anos, elogia o ambiente de trabalho solidário e a mentoria que recebeu, afirmando que o local o ajudou a ganhar confiança e senso de pertencimento.


