Dívida pública sobe 0,22% em julho e supera R$ 9,2 trilhões
A Dívida Pública Federal (DPF) subiu 0,22% em julho, para R$ 9,288 trilhões, segundo o Tesouro Nacional. A apropriação de juros de R$ 89,95 bilhões impediu a queda do endividamento, apesar do resgate líquido de títulos. O colchão da dívida atingiu nível recorde, e o prazo médio subiu para 4,05 anos.

A dívida pública federal subiu 0,22% em julho, para R$ 9,288 trilhões, pressionada pela apropriação de R$ 89,95 bilhões em juros.
Juros impedem queda do endividamento, mas estoque fica abaixo do previsto para o ano
Juros impedem queda da dívida em julho
A Dívida Pública Federal (DPF) subiu 0,22% em julho, passando de R$ 9,268 trilhões em junho para R$ 9,288 trilhões, conforme dados divulgados nesta quarta-feira (26) pelo Tesouro Nacional. O aumento foi puxado pela apropriação de R$ 89,95 bilhões em juros, que compensou o resgate líquido de títulos.
No mês, o Tesouro resgatou R$ 61,91 bilhões a mais do que emitiu, principalmente em títulos prefixados. A apropriação de juros é o mecanismo pelo qual o governo reconhece mensalmente a correção dos títulos e incorpora esse valor ao estoque da dívida. Com a Selic em 14% ao ano, esse custo pressiona o endividamento.
Composição da dívida e preferência por títulos Selic
Com o vencimento de títulos prefixados, a participação dos papéis vinculados à Selic subiu de 49,32% para 51,11% do total. Os títulos corrigidos pela inflação passaram de 25,9% para 26,02%, enquanto os prefixados caíram de 21,04% para 19,22%. Os títulos cambiais recuaram de 3,74% para 3,65%.
A preferência por títulos Selic reflete o ambiente de juros altos, que atrai investidores. Já os prefixados, que oferecem taxas definidas no momento da emissão, tendem a perder espaço em momentos de instabilidade, quando os investidores exigem prêmios maiores.
Colchão de liquidez atinge recorde e prazo médio sobe
O colchão da dívida pública, reserva usada em momentos de turbulência, subiu pelo quarto mês consecutivo, alcançando R$ 1,37 trilhão em julho, o maior nível desde o início da série histórica, em 2015. Esse montante cobre 7,81 meses de vencimentos, que somam R$ 1,76 trilhão nos próximos 12 meses.
O prazo médio da DPF subiu de 4,01 para 4,05 anos, indicando maior confiança dos investidores na capacidade do governo de honrar seus compromissos. A participação de estrangeiros na dívida interna caiu de 9,95% em junho para 9,82% em julho, influenciada pela tensão no Oriente Médio.
Perspectivas para o ano
O Tesouro Nacional revisou o Plano Anual de Financiamento (PAF), que prevê que a DPF encerre 2026 entre R$ 9,7 trilhões e R$ 10,3 trilhões. Apesar da alta em julho, o estoque atual está abaixo do intervalo projetado.
Para os títulos vinculados à Selic, a meta é que encerrem o ano entre 49% e 53% do total. Os corrigidos pela inflação devem ficar entre 21% e 25%, os prefixados entre 20% e 24%, e os cambiais entre 3% e 7%.


