Eclipse raro na Europa pode desvendar mistérios do sol
Milhões de pessoas na Europa se preparam para acompanhar um eclipse solar total que cruzará a Espanha, Islândia e Groenlândia. Para a comunidade científica, o evento representa uma chance única de investigar a coroa solar, a camada mais externa da atmosfera do Sol, cujo aquecimento extremo ainda intriga pesquisadores.

Um eclipse solar total na Espanha oferece a cientistas uma oportunidade rara de observar a coroa solar, um dos maiores mistérios da nossa estrela.
Cientistas aproveitam fenômeno para estudar a coroa solar e o vento solar, buscando entender o aquecimento extremo da atmosfera estelar.
Oportunidade científica em eclipse europeu
Milhões de pessoas na Europa se preparam para acompanhar um eclipse solar total que cruzará a Espanha nesta quarta-feira, 12 de agosto de 2026. Para a comunidade científica, este fenômeno representa uma oportunidade rara e valiosa para observar um dos maiores mistérios do Sol: a coroa solar. O astrofísico Milan Maksimovic, diretor de pesquisa do Centro Nacional de Pesquisa Científica da França (CNRS) e do Laboratório de Instrumentação e Pesquisa em Astrofísica do Observatório de Paris, destacou a importância do evento.
A totalidade do eclipse ocorrerá ao entardecer, oferecendo condições excepcionais para observação e fotografia em uma ampla região da Península Ibérica. Maksimovic, que acompanhará o fenômeno na cidade espanhola de Burgos, ressaltou que o eclipse terá duração entre um e dois minutos, dependendo da localidade. Durante esse período, a Lua encobrirá completamente o disco solar, revelando apenas a coroa solar, a camada mais externa da atmosfera do Sol.
O mistério do aquecimento da coroa solar
A coroa solar intriga os cientistas devido a uma característica que contraria o comportamento da atmosfera terrestre. Enquanto na Terra a temperatura diminui com o aumento da altitude, no Sol ocorre o oposto. Acima da fotosfera, a camada luminosa visível, a temperatura da coroa pode atingir cerca de um milhão de graus Celsius, um aquecimento muito superior à superfície solar.
Esse aquecimento extremo gera o vento solar, um fluxo contínuo de partículas carregadas que se propaga por todo o Sistema Solar. Embora o vento solar esteja relacionado à formação das auroras boreais e austrais na Terra, ele também pode impactar satélites, sistemas de comunicação e outras tecnologias espaciais. Apesar dos avanços em sondas e observatórios espaciais, os pesquisadores ainda não compreendem totalmente os mecanismos por trás do aquecimento da coroa e da formação do vento solar.
Impactos do vento solar e valor dos eclipses
O vento solar, composto por partículas carregadas emitidas pelo Sol, pode ter diversas consequências na Terra e no espaço. Ele pode elevar os níveis de radiação para astronautas em missões espaciais, interferir em sinais de GPS e telecomunicações, sobrecarregar redes elétricas e até alterar a órbita de satélites ao aumentar o arrasto nas camadas superiores da atmosfera terrestre. A compreensão desses fenômenos é crucial para a proteção de infraestruturas tecnológicas.


