Especialista em mitologia grega critica misoginia em filme de Christopher Nolan
Cláudio Moreno, professor e autor, aponta que a adaptação de Christopher Nolan para "A Odisseia" falha ao reduzir a profundidade de figuras femininas como Penélope, Circe, Calipso e Atena, que são centrais na epopeia de Homero. Segundo Moreno, o filme privilegia a ação em detrimento da riqueza narrativa e da força dessas personagens.
O novo filme "A Odisseia", dirigido por Christopher Nolan, é criticado por um especialista em mitologia grega por apagar a complexidade de personagens femininas essenciais da obra original.
Para o professor Cláudio Moreno, a adaptação cinematográfica de "A Odisseia" prioriza o espetáculo visual, mas descaracteriza personagens femininas cruciais da obra original.
A crítica de Cláudio Moreno à adaptação de Nolan
O professor Cláudio Moreno, especialista em mitologia grega e autor de obras sobre o mundo antigo, avalia que o novo filme "A Odisseia", de Christopher Nolan, embora visualmente grandioso, falha em capturar a essência da epopeia de Homero. Para Moreno, o maior equívoco da adaptação reside na descaracterização e no apagamento das personagens femininas, que são centrais e poderosas na obra original.
Segundo o especialista, Homero, independentemente de sua identidade, criou na "Odisseia" um universo com mulheres de grande força e complexidade. Contudo, a versão cinematográfica de Nolan teria negligenciado essa dimensão, priorizando a ação e o espetáculo visual em detrimento da profundidade narrativa e do papel decisivo que deusas, ninfas e mortais desempenham na jornada de Ulisses.
Penélope: de estrategista a esposa em espera
Na epopeia original, Penélope, esposa de Ulisses, é retratada como uma mulher inteligente e poderosa, capaz de sustentar o reino de Ítaca por 20 anos na ausência do marido. Ela usa sua astúcia para adiar a pressão dos pretendentes e preservar o trono, inclusive testando o próprio Ulisses em seu retorno para confirmar sua identidade. Moreno destaca a fidelidade de Ulisses a Penélope antes de sua longa viagem, reforçando a força da relação.
No filme, contudo, Penélope (interpretada por Anne Hathaway) é reduzida a uma figura que espera o retorno do herói, perdendo a complexidade e a inteligência que a caracterizam na obra de Homero. Essa simplificação, conforme a crítica, desvaloriza um dos pilares femininos da narrativa, que é fundamental para a compreensão da jornada de Ulisses.
Circe e Calipso: poder e paixão reduzidos
Circe, a feiticeira que transforma os companheiros de Ulisses em porcos, é uma das personagens mais poderosas da "Odisseia". Na obra original, ela reconhece Ulisses, se apaixona por ele e o orienta sobre como prosseguir em sua jornada, inclusive sobre a visita ao mundo dos mortos. Moreno critica a adaptação de Nolan por reduzir Circe (interpretada por Samantha Morton) a uma figura "raivosa" e "incompreensível", perdendo sua complexidade e papel de guia.


