Exposição em São Paulo resgata história de movimentos feministas e LGBTQ+
O Museu da Diversidade Sexual inaugura a exposição 'Alice Oliveira', que reúne fotografias, negativos e registros audiovisuais dos movimentos feministas, lésbicos e LGBTQ+ dos anos 1980 e 1990. O acervo, antes esquecido, foi digitalizado e catalogado recentemente, revelando momentos cruciais para a compreensão da evolução desses movimentos.

Uma exposição em São Paulo resgata mais de quatro décadas de história dos movimentos feministas e LGBTQ+ no Brasil e América Latina, através de 30 fotografias e documentos inéditos.
Acervo da fotógrafa Alice Oliveira, com mais de quatro décadas de registros, é exibido no Museu da Diversidade Sexual.
O resgate de uma memória essencial
O Museu da Diversidade Sexual, em São Paulo, inaugurou a exposição 'Alice Oliveira' nesta quarta-feira, 19 de agosto de 2026, data que marca o Dia do Orgulho Lésbico. A mostra celebra o trabalho de mais de quatro décadas da ativista e fotógrafa Alice Oliveira, apresentando um acervo que documenta os movimentos feministas, lésbicos e LGBTQ+ no Brasil e na América Latina durante os anos 1980 e 1990.
A exposição reúne 30 fotografias, além de negativos, documentos e registros audiovisuais, que contribuem para a reconstrução da história desses movimentos. Por muitos anos, o material de Alice Oliveira permaneceu esquecido, pois a ativista inicialmente não se via como fotógrafa. O processo de digitalização e catalogação desse valioso acervo ocorreu apenas recentemente, com a curadoria e pesquisa de Pedro Vieira.
Marcos na história LGBTQ+
O acervo de Alice Oliveira oferece uma visão detalhada da evolução do movimento LGBTQ+. Entre os registros, destacam-se fotografias da 17ª Conferência da Associação Internacional de Gays e Lésbicas (ILGA), realizada pela primeira vez no Brasil, no Rio de Janeiro, em 1995. Este evento é considerado um marco fundamental para a historiografia LGBTQ+ brasileira.
Ao final da conferência, em junho de 1995, os participantes realizaram um grande ato na Orla de Copacabana. Essa manifestação foi a maior do tipo no país até então, e muitos historiadores a reconhecem como a primeira parada do orgulho no Brasil, evidenciando a crescente visibilidade e organização da comunidade.
A luta feminista e a união continental
Além dos registros LGBTQ+, a exposição também aborda momentos significativos da luta feminista. No final dos anos 1980, Alice Oliveira teve um papel ativo na organização do 3º Encontro Feminista Latino-Americano e Caribenho, que ocorreu em Bertioga. Segundo a ativista, este encontro representou o primeiro grande contato do movimento feminista brasileiro com outras nações do continente.
Alice também participou de dois encontros em El Salvador, que, segundo ela, foram cruciais para o fortalecimento de mulheres de diversas realidades. Esses eventos reuniram um espectro amplo de participantes, desde mulheres indígenas e quilombolas até intelectuais e parlamentares, promovendo uma solidariedade e articulação política essenciais para o avanço das pautas feministas.


