Expedição brasileira parte de Fortaleza para mapear a Zona de Fratura Romanche, no Atlântico
Liderada pelo professor José Angel Perez, da Univali, a missão The Gap reúne 25 especialistas de cinco nacionalidades a bordo do navio Falkor (too) e deve desembarcar em Gana em 26 de outubro.

Uma expedição científica parte neste domingo, 20, de Fortaleza rumo à Zona de Fratura Romanche, formação submarina de cerca de mil quilômetros entre o Nordeste do Brasil e a África Ocidental.
Missão The Gap usará rover e submarino autônomo para explorar paredões a até 4,5 mil metros de profundidade e investigar a relação da ressurgência equatorial com a vida no fundo do oceano
Uma missão de mil quilômetros sobre o assoalho oceânico
A expedição The Gap parte neste domingo, 20, de Fortaleza (CE) com destino à Zona de Fratura Romanche, formação submarina de aproximadamente mil quilômetros de extensão composta por uma sequência de montanhas e vales. O alvo fica a meio caminho entre a costa Nordeste do Brasil e o oeste do continente africano.
A bordo do navio de pesquisa Falkor (too), cedido pelo Schmidt Ocean Institute, a equipe vai mapear duas áreas distintas e coletar amostras de rochas e de vida nas paredes da formação, em profundidades de até 4,5 mil metros. O trabalho é liderado pelo professor José Angel Perez, da Universidade do Vale do Itajaí (Univali).
O grupo reúne 25 especialistas de cinco nacionalidades. Além de Perez, integram a equipe outros cinco professores universitários brasileiros — dois da Univali, um da USP, um da UFRGS e um da UFES —, sete estudantes, um pesquisador e a tripulação. A previsão é desembarcar em Gana em 26 de outubro.
O que a ressurgência equatorial tem a ver com o fundo do mar
A área investigada registra a ressurgência equatorial, fenômeno sazonal de elevação de águas mais frias e ricas em nutrientes até a superfície marinha, provocado principalmente pelos ventos alísios. Esse processo é comum em regiões intertropicais e sustenta o aumento das populações de animais microscópicos que formam a base da cadeia alimentar marinha.
Segundo Perez, o foco principal é identificar e mapear a relação da ressurgência com as comunidades profundas, além de estudar a dinâmica das correntes e a morfologia dos habitats de fundo. A ideia é observar como a produção de alimentos na superfície influencia o que vive lá embaixo.
O professor observa que conhecer esses mecanismos importa porque 70% da crosta do planeta está em regiões de oceano profundo, mas menos de 1% dessa área é conhecida. Com evidências científicas concretas sobre essa riqueza e sobre o impacto da ação humana, os pesquisadores pretendem subsidiar estudos futuros e mostrar a importância de áreas de preservação.


