Faturamento da indústria cai 2% em julho, aponta CNI
Levantamento da Confederação Nacional da Indústria mostra retração de 2% no faturamento do setor em julho, com estabilidade nos demais indicadores e desempenho negativo no acumulado do ano.

O faturamento da indústria de transformação recuou 2% em julho ante junho e acumula queda de 0,5% nos sete primeiros meses de 2026, segundo a CNI.
Demais indicadores industriais ficam praticamente estáveis no mês, mas acumulado do ano segue negativo
Faturamento recua 2% em julho e acumula baixa no ano
O faturamento da indústria de transformação caiu 2% em julho na comparação com junho, segundo dados divulgados nesta quinta-feira (10) pela Confederação Nacional da Indústria (CNI). No acumulado dos sete primeiros meses de 2026, o indicador registra queda de 0,5% em relação ao mesmo período do ano passado.
A retração no faturamento foi o destaque do mês, conforme afirmou em nota Marcelo Azevedo, gerente de Análise Econômica da CNI. Segundo ele, o quadro geral não muda muito em relação ao mês anterior, porque a maior parte dos indicadores teve variação muito pequena.
Emprego, massa salarial e rendimento têm pouca variação
O emprego na indústria avançou 0,2% em julho ante junho, mas recua 0,6% no acumulado do ano. A massa salarial também subiu 0,2% no mês e acumula alta de 0,6% em 2026.
O rendimento médio ficou estável em julho e registra ganho de 1,2% no ano. Segundo a CNI, esses indicadores sinalizam estabilidade no desempenho do setor no mês, apesar da queda do faturamento.
Produção estável, mas acumulado do ano é negativo
As horas trabalhadas na produção aumentaram 0,2% em julho ante junho. A Utilização da Capacidade Instalada (UCI) passou de 77,3% para 77,4%, alta de 0,1 ponto percentual.
No acumulado de janeiro a julho, porém, os indicadores são negativos: horas trabalhadas caem 1% ante os sete primeiros meses de 2025, a utilização da capacidade recua 0,8 ponto percentual e o faturamento baixa 0,5% no período. Para a CNI, o resultado reforça o quadro de desaquecimento da atividade industrial observado ao longo do ano.
Juros e endividamento pressionam a demanda
De acordo com Marcelo Azevedo, a combinação entre juros elevados e maior endividamento das famílias tem contribuído para reduzir a demanda por produtos industriais. "A elevação da taxa de juros e o endividamento das famílias vêm diminuindo a demanda por bens industriais de uma forma geral", afirmou.
O gerente da CNI destacou que esse movimento se reflete na redução das horas trabalhadas, do faturamento e da utilização da capacidade instalada, com impactos também sobre o emprego. Ele lembrou ainda que a comparação anual ocorre com um período em que a indústria apresentava demanda mais aquecida.


