Fiji enfrenta a epidemia de HIV com crescimento mais rápido do mundo
Em pouco mais de uma década, Fiji passou de uma das menores taxas de HIV na região do Pacífico para uma epidemia de crescimento acelerado, com a prevalência entre jovens e gestantes atingindo níveis preocupantes.
Fiji, um arquipélago com 937 mil habitantes, tornou-se o epicentro da epidemia de HIV com o crescimento mais rápido globalmente, registrando um aumento de mais de dez vezes nos novos diagnósticos desde 2014.
Arquipélago do Pacífico registrou aumento de mais de dez vezes nos novos diagnósticos desde 2014, impulsionado pelo uso de metanfetamina injetável.
A escalada da epidemia em Fiji
Fiji, um arquipélago do Pacífico com 937 mil habitantes, tornou-se o foco da atenção internacional devido ao rápido crescimento da epidemia de HIV. Em pouco mais de uma década, o país passou de uma das menores taxas regionais para o crescimento mais acelerado globalmente. Em 2025, registrou um aumento de mais de dez vezes nos novos diagnósticos desde 2014, levando o governo a declarar um surto nacional em janeiro do ano passado.
A principal causa dessa escalada é o avanço do uso de metanfetamina injetável. Fiji, que antes era uma rota de trânsito para a droga, agora enfrenta o consumo interno. O que inicialmente estava concentrado entre usuários de drogas injetáveis, em apenas cinco anos, se espalhou para todos os grupos populacionais, tornando a crise sanitária generalizada.
Impacto e desafios na saúde pública
A Unaids estima uma prevalência de 1,2% de HIV entre pessoas de 15 a 49 anos em Fiji, e entre gestantes, a taxa já ultrapassa 2%. A transmissão vertical do HIV (de mãe para filho) atingiu 18% no ano passado, uma das mais altas do mundo, resultando na duplicação do número de crianças nascidas com o vírus. As projeções indicam um salto de 8.900 pessoas vivendo com HIV em 2025 para 12 mil este ano.
Apesar da gravidade, apenas cerca de três em cada dez pessoas com o vírus receberam diagnóstico, e somente uma em seis está em tratamento. A supressão viral documentada, que indica o controle da infecção, é de apenas 2%. Em contraste, no Brasil, 91% das pessoas com HIV são diagnosticadas, 83% estão em tratamento e 72% têm supressão viral.
Fatores culturais e entraves na resposta
Dois terços dos diagnósticos do ano passado ocorreram entre jovens de 20 a 34 anos, refletindo uma epidemia jovem impulsionada por um padrão incomum de consumo de drogas. Em Fiji, o uso de metanfetamina injetável frequentemente começa diretamente por essa via, diferentemente de outros países onde o fumo ou inalação são mais comuns. A tradição cultural de compartilhar recipientes, como na cerimônia do kava, pode ter influenciado a extensão desse comportamento ao uso de drogas injetáveis.

