Mercurocromo: o antisséptico popular que sumiu das farmácias brasileiras
O mercurocromo, um antisséptico tópico que marcou a infância de muitos brasileiros, foi retirado do mercado pela Anvisa. A decisão, tomada há 25 anos, visava reduzir a exposição da população ao mercúrio, um metal tóxico, e promover alternativas mais seguras para o tratamento de pequenos ferimentos.
Há 25 anos, a Anvisa proibiu a venda do mercurocromo no Brasil, um antisséptico comum em lares, devido à presença de mercúrio em sua fórmula.
Remédio amplamente usado para machucados de crianças foi proibido pela Anvisa há 25 anos devido à presença de mercúrio em sua composição.
O fim de um antisséptico onipresente
Mercurocromo, conhecido por sua cor vermelha e o ardor ao ser aplicado, era um item comum nas casas brasileiras até o final do século 20. Utilizado para tratar pequenos machucados e escoriações, o produto era a primeira opção de primeiros-socorros para muitas famílias, especialmente para as crianças. Sua popularidade se estendeu por décadas, tornando-se uma memória compartilhada por gerações.
A presença do mercurocromo nas prateleiras das farmácias e nos armários domésticos chegou ao fim há 25 anos, quando a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) determinou a proibição de sua produção e comercialização. A medida foi motivada pela presença de mercúrio na fórmula do medicamento, um metal reconhecido por sua toxicidade.
Mercúrio na fórmula e a decisão da Anvisa
O princípio ativo do mercurocromo original era a merbromina, um composto organomercurial que, embora contivesse mercúrio, não o apresentava na forma metálica livre. Segundo o químico Adriano Andricopulo, da USP, a preocupação da Anvisa ao retirar o produto do mercado estava alinhada a uma política mais ampla de redução da exposição da população ao mercúrio. O risco de absorção aumentava com aplicações repetidas ou em áreas extensas da pele lesionada.
A decisão da Anvisa foi uma medida preventiva, baseada em estudos que avaliavam a relação entre benefício, eficácia e segurança do produto. Na época da proibição, já existiam alternativas mais seguras e eficazes para o tratamento de pequenos ferimentos. Especialistas ressaltam que o uso pontual do mercurocromo no passado não implica risco de intoxicação para quem o utilizou.
Da inovação à obsolescência: a evolução da medicina
Desenvolvido nos Estados Unidos em 1919 pelo cirurgião Hugh Hampton Young, o mercurocromo, ou merbromina, rapidamente se tornou um antisséptico globalmente reconhecido por sua praticidade e baixo custo. Sua solução, geralmente 2% de merbromina em álcool ou água, era uma inovação crucial para prevenir infecções em pequenos ferimentos, especialmente antes da descoberta da penicilina em 1928 e do advento dos antibióticos modernos.
Contudo, a partir dos anos 1990, o uso do mercurocromo começou a ser questionado. A medicina evoluiu, e a compreensão de que soluções mais simples, como água e sabão, eram tão ou mais eficazes para desinfetar pequenos machucados ganhou força. Além disso, antissépticos fortes, como o mercurocromo, podiam lesar células importantes para a cicatrização, retardando o processo de reparo da pele.

