Fungos podem restaurar terras degradadas e combater crise climática
Pesquisadoras Toby Kiers e Burenjargal Otgonsuren lançaram resultados de estudos na Mongólia mostrando que fungos micorrízicos podem restaurar solos degradados, com potencial de recuperar até 91% das pastagens do país.

Cientistas apresentaram na COP17, na Mongólia, estudos que usam fungos micorrízicos para recuperar terras degradadas e combater a desertificação.
Pesquisadoras apresentam na COP17 resultados de estudos na Mongólia que usam redes subterrâneas de fungos para recuperar solo e pastagens
Estratégia com fungos mostra resultados na Mongólia
Pesquisadoras Toby Kiers e Burenjargal Otgonsuren apresentaram durante a COP17, na Embaixada da França em Ulaanbaatar, resultados de estudos que utilizam fungos micorrízicos para recuperar terras degradadas. Esses fungos formam simbiose com raízes de plantas, recebendo carbono produzido na fotossíntese e fornecendo água e nutrientes como fósforo e nitrogênio.
A estratégia experimental consiste em cercar pequenas áreas de pastagem para impedir temporariamente a entrada de animais e a ação humana. Essas áreas funcionam como refúgios para a biodiversidade subterrânea e futuras fontes de fungos locais para projetos de restauração.
Os primeiros resultados, obtidos em 2025, indicam que a vegetação dentro das áreas protegidas já apresenta maior altura que a de fora. A pesquisadora Burenjargal Otgonsuren, que lidera o projeto, instalou seis áreas cercadas em regiões de estepe e deserto e pretende acompanhar os experimentos por pelo menos três anos.
Biodiversidade fúngica surpreende cientistas
As análises de amostras coletadas nas estepes mongóis revelaram que cerca de 90% das sequências de DNA fúngico pertencem a espécies ainda desconhecidas pela ciência. Foram identificadas 541 unidades taxonômicas associadas a fungos micorrízicos apenas na região do Gobi.
Parte desses organismos parece ser altamente adaptada às condições locais e pode não existir em outras regiões. Por isso, a conservação dessas espécies endêmicas é considerada crucial. A pesquisadora Otgonsuren afirma que a ideia não é transportar fungos de outras áreas, mas proteger e reproduzir as espécies locais para uso na restauração.
Pesquisadoras defendem inclusão de fungos em políticas ambientais
Toby Kiers, diretora-executiva da Society for the Protection of Underground Networks (SPUN), destacou que as políticas de conservação tradicionalmente se concentram em plantas e animais visíveis, ignorando organismos subterrâneos. Segundo ela, cerca de 90% dos hotspots de biodiversidade microbiana identificados pela SPUN estão fora de áreas protegidas.
As pesquisadoras defendem que fungos sejam incorporados às políticas de combate à desertificação e aos instrumentos de monitoramento da degradação da terra. A SPUN já trabalha com pesquisadores e comunidades locais em vários países para mapear redes subterrâneas, com a proposta de integrar esse conhecimento a um atlas global e às políticas públicas.


