Infecções por HIV e mortes por aids atingem menores níveis, mas financiamento cai
Relatórios do Programa Conjunto das Nações Unidas para HIV/Aids (Unaids) revelam que as novas infecções e mortes por aids atingiram os menores patamares globais em 2025. Contudo, a organização alerta que a queda no financiamento e o aumento da discriminação ameaçam reverter esses progressos.

As novas infecções por HIV e as mortes relacionadas à aids alcançaram os menores níveis globais em 2025, conforme relatórios do Unaids.
Unaids alerta que avanços globais estão ameaçados pela redução de recursos e aumento da discriminação
Avanços e desafios globais
Relatórios recentes do Programa Conjunto das Nações Unidas para HIV/Aids (Unaids) indicam que as novas infecções por HIV e as mortes relacionadas à aids alcançaram os menores níveis globais em 2025. Apesar desses progressos significativos, a organização expressa preocupação com a redução do financiamento destinado às ações de prevenção e tratamento, o que pode comprometer os avanços obtidos.
Em 2025, foram registradas 1,2 milhão de novas infecções por HIV em todo o mundo, representando uma diminuição de aproximadamente 40% desde 2010. No mesmo período, o número de mortes por aids totalizou 570 mil. Contudo, 21 países e três regiões do mundo observaram um aumento nos novos casos, incluindo o Brasil, que, em resposta, ampliou em 41% o acesso a medicamentos preventivos.
Oportunidade de erradicação e inovações
A diretora-executiva do Unaids, Winnie Byanyima, destacou que o fim da epidemia de aids é uma meta alcançável, impulsionada por inovações científicas. Entre elas, a profilaxia pré-exposição (PrEP) injetável se sobressai, com capacidade de prevenir a infecção em indivíduos saudáveis por até seis meses.
Byanyima ressaltou que, embora os avanços científicos sejam cruciais, eles não são suficientes por si só. A inovação sem acesso equitativo se torna uma injustiça, pois muitos que necessitam desses medicamentos ainda não conseguem alcançá-los.
Para que o mundo atinja a meta de erradicar a aids como ameaça à saúde pública até 2030, o Unaids estima que 20 milhões de pessoas precisem ter acesso à PrEP injetável de longa duração. Este compromisso foi recentemente firmado pelos países-membros das Nações Unidas.
Financiamento e barreiras políticas
Para garantir o acesso, Byanyima enfatizou a necessidade de preços acessíveis, concorrência de genéricos, fabricação regional, transferência de tecnologia e rápida integração em programas nacionais. Ela afirmou que a ciência já cumpriu sua parte, e agora é a vez da política agir. A implementação dessas medidas poderia prevenir 3,2 milhões de novas infecções e 1,3 milhão de mortes relacionadas à aids.
O Unaids defende a recomposição dos investimentos globais em tratamento e prevenção do HIV como um passo fundamental. Em 2025, os recursos do Overseas Development Assistance (ODA), principal programa de assistência a países de baixa renda, sofreram uma queda de 23%, impactando severamente os programas de HIV. Alguns países africanos dependem desses recursos para mais de 90% de suas ações contra a epidemia.


