Influenciadoras digitais redefinem a solidão como estilo de vida
No TikTok e Instagram, criadoras de conteúdo como Lana Isa e Devon Noehring compartilham suas vidas solitárias, focando na paz e no autocuidado. Essa tendência, que prioriza a independência e a autenticidade, tem provocado reações diversas, desde identificação até acusações de romantizar o isolamento. Pesquisadores alertam para a necessidade de conexão social, enquanto as influenciadoras defendem a desmistificação do estigma de estar sozinho.

Um número crescente de influenciadoras digitais está redefinindo a percepção da solidão, mostrando rotinas de vida sem amigos ou filhos que acumulam milhões de visualizações e geram discussões.
Criadoras de conteúdo compartilham rotinas de paz e autocuidado, gerando debate sobre a romantização do isolamento e a busca por autenticidade online.
O fenômeno das influenciadoras da solidão
Um novo nicho de criadoras de conteúdo digital está ganhando visibilidade ao documentar suas vidas solitárias, sem filhos ou amigos, nas redes sociais. Essas influenciadoras, muitas vezes mulheres, compartilham rotinas diárias que enfatizam a paz, o autocuidado e a independência, em contraste com a imagem de excesso e constante interação social frequentemente promovida online. O fenômeno tem gerado milhões de visualizações e um intenso debate sobre a solidão na sociedade contemporânea.
Lana Isa, uma gerente de vendas de software de Toronto, Canadá, é um exemplo proeminente dessa tendência. Seus vídeos no TikTok, que mostram desde a preparação de uma pizza congelada em uma noite de sexta-feira até passeios noturnos e sessões de leitura, acumulam milhões de visualizações. Isa, que se viu sem amigos próximos após mudanças de escola, isolamento durante a pandemia e uma desilusão amorosa, afirma que sua intenção é mostrar a realidade de sua vida, não romantizar a falta de amigos.
Solidão versus solitude: a busca por autenticidade
A abordagem de Isa e outras influenciadoras ressoa com um público que se identifica com a experiência de viver sozinho ou não ter um círculo social amplo. Muitos seguidores encontram conforto e se sentem "vistos" ao acompanhar essas narrativas, que desmistificam o tabu em torno da falta de amigos. A popularidade desses conteúdos sugere que a vida solitária pode ser mais comum do que se admite, e que há uma demanda por representações mais autênticas nas redes.
No entanto, a tendência também enfrenta críticas. As criadoras de conteúdo foram apelidadas de "influenciadoras da solidão" e acusadas de romantizar o isolamento ou de promover uma "atmosfera de derrotismo complacente". Em resposta, influenciadoras como Devon Noehring, de Phoenix, Arizona, defendem que seus vídeos buscam priorizar a paz e desmistificar o estigma de que estar sozinho é sinônimo de tristeza. Para Noehring, a solitude é um meio de recarregar energias e um motivo de orgulho pela independência.
O papel da conexão social e a comunidade online
Pesquisadores da saúde, como a epidemiologista Melody Ding da Universidade de Sydney, trabalham para desestigmatizar a solidão, diferenciando-a da solitude escolhida. Ding reconhece que as necessidades sociais variam, mas alerta que, apesar do apelo da vida solitária nas redes, os seres humanos são uma espécie social e precisam de conexão para o bem-estar mental e físico. Ela enfatiza a importância de relacionamentos positivos e nutritivos, mesmo que as pessoas possam "desvalorizar" a solidão ao longo do tempo.


