Justiça francesa investiga suicídios e assédio na administração do primeiro-ministro
A Promotoria de Paris apura relatos de funcionários sobre a degradação das condições de trabalho e falhas na proteção de servidores no Hôtel Matignon, sede do governo francês. O caso ganhou dimensão nacional após a revelação de mortes e tentativas de suicídio.

A Justiça francesa abriu uma investigação preliminar sobre uma série de suicídios, tentativas de suicídio e denúncias de assédio moral na administração do primeiro-ministro.
Denúncias de degradação das condições de trabalho e falhas na proteção de servidores levaram à abertura de inquérito preliminar no coração do governo francês.
Investigação no coração do governo francês
A Promotoria de Paris iniciou uma investigação preliminar para apurar denúncias de assédio moral e possíveis falhas institucionais na proteção de servidores dentro da administração do primeiro-ministro da França. Este inquérito coloca sob escrutínio um dos núcleos mais estratégicos do Estado francês, o Hôtel Matignon, residência oficial e sede de trabalho do chefe de governo. O caso ganhou dimensão nacional após a divulgação de relatos sobre suicídios, tentativas de suicídio e a degradação das condições de trabalho.
A estrutura administrativa em questão é responsável por coordenar a ação do governo e articular o funcionamento dos diferentes ministérios. A sensibilidade do caso reside no fato de que as acusações não se referem a um órgão periférico, mas sim ao centro encarregado de dirigir as atividades governamentais sob a autoridade direta do primeiro-ministro. A apuração foi confiada à Brigada de Repressão à Delinquência Contra as Pessoas, uma unidade especializada da polícia francesa.
Sucessão de tragédias e denúncias
A abertura da investigação ocorreu após uma queixa apresentada em 25 de junho por uma funcionária, identificada como Flore, que acusou quatro superiores hierárquicos de assédio. No mesmo dia, um representante dos funcionários encaminhou uma denúncia à Justiça, mencionando não apenas assédio, mas também a exposição de servidores a situações de risco, questionando o cumprimento do dever legal de proteção por parte da administração.
Segundo os relatos encaminhados à Promotoria, a denúncia surgiu após uma série de episódios graves. Desde outubro de 2025, dois funcionários dos serviços administrativos ligados ao gabinete do primeiro-ministro tiraram a própria vida. Além disso, pelo menos outros dois servidores tentaram cometer suicídio. A própria Flore havia tentado se jogar nos trilhos de uma estação ferroviária de Paris dois meses antes de registrar a queixa, sendo salva por um passageiro. A denúncia também menciona uma morte considerada suspeita no mesmo período.
Relato de humilhações e rebaixamento
A queixa de Flore detalha uma trajetória de deterioração profissional que teria se intensificado nos últimos anos. Após cerca de três décadas de carreira no serviço público, ela afirma ter sido progressivamente afastada de suas funções e excluída das atividades que coordenava. Sua advogada, Christelle Mazza, sustenta que a servidora foi transferida para um espaço no subsolo do edifício e deixou de participar de reuniões relacionadas ao seu trabalho.


