Migrantes deportados de Ceuta relatam violência e 'caça humana'
Migrantes deportados de Ceuta denunciam ter sofrido violência e uma "caça humana" durante as tentativas de travessia para o enclave espanhol. As autoridades de Madri informaram que aproximadamente 60 mil pessoas foram devolvidas ao Marrocos, enquanto dezenas morreram, muitas por afogamento.

Cerca de 60 mil pessoas que atravessaram ilegalmente a fronteira espanhola em Ceuta foram deportadas para o Marrocos, com relatos de violência e ferimentos.
Cerca de 60 mil pessoas foram enviadas de volta ao Marrocos após tentarem atravessar a fronteira espanhola, com denúncias de agressões e mortes.
Deportações e relatos de violência em Ceuta
No dia 1º de agosto de 2026, migrantes continuavam a ser deportados de Ceuta, enclave espanhol no norte da África. Ônibus aguardavam na saída da fronteira para transportar os indivíduos de volta a diversas regiões do Marrocos. Um jovem, ao ser questionado sobre seu destino, expressou a desilusão: "Partimos na esperança de mudar nossas vidas. Pensávamos encontrar um país melhor."
Muitos dos migrantes deportados relataram ter sofrido violência durante as tentativas de travessia. Um jovem exibiu um hematoma no ombro, afirmando que foi causado por um taco de golfe, agredido por "pessoas de Ceuta". Mustapha, de 17 anos, descreveu as cenas como uma "caça humana", tendo que se esconder em uma floresta para escapar de militares e moradores locais. Ele relatou que a violência o afetou psicologicamente.
Mortes e testemunhos de agressões
A crise migratória em Ceuta resultou em pelo menos 72 mortes, conforme números divulgados em 2 de agosto de 2026. Muitos migrantes se afogaram ao tentar alcançar o enclave espanhol à força, em um deslocamento inédito de dezenas de milhares de pessoas, principalmente jovens marroquinos. O governo autônomo de Ceuta classificou o episódio como o mais grave já registrado em sua história.
Uma turista francesa, Ilham, testemunhou a violência, afirmando ter visto o exército espanhol agredir crianças enquanto as reunia para enviá-las de volta ao Marrocos. Ela expressou sua consternação com a situação. A polícia e o exército mantiveram patrulhas na região, realizando prisões e expulsões, embora o pico da crise parecesse ter passado.
Crise diplomática e silêncio marroquino
A chegada em massa de migrantes desencadeou uma crise diplomática entre a Espanha e alguns de seus parceiros europeus, que criticam a política migratória espanhola. Madri informou que a "quase totalidade" das cerca de 60 mil pessoas que atravessaram ilegalmente a fronteira já foi devolvida ao Marrocos vizinho. Os ministros do Interior da União Europeia estão programados para discutir os incidentes em uma videoconferência em 4 de agosto de 2026.
As autoridades marroquinas não se manifestaram sobre o repentino fluxo migratório, nem divulgaram informações sobre o número de vítimas ou detenções durante os confrontos de 31 de julho de 2026. Uma fonte ligada a associações sugeriu que a magnitude das chegadas à fronteira não poderia ter ocorrido sem o "consentimento das autoridades" marroquinas.


