Mola gestacional: entenda a condição que pode evoluir para câncer de placenta
A mola gestacional, ou doença trofoblástica gestacional, é um tumor benigno resultante de um erro na fertilização. Embora a maioria dos casos seja curável, a condição exige interrupção da gravidez e acompanhamento rigoroso em centros especializados para evitar a progressão para um câncer de placenta, que pode ser fatal se não tratado adequadamente.

Uma em cada 200 a 400 gestações no Brasil pode ser uma mola gestacional, uma condição que, em até 20% dos casos, evolui para câncer de placenta.
A doença trofoblástica gestacional, uma fertilização inviável, afeta uma em cada 200 a 400 gestações no Brasil e exige acompanhamento especializado.
O que é a mola gestacional e como ela surge
A mola gestacional, conhecida cientificamente como doença trofoblástica gestacional, é uma condição que se origina de um erro na fertilização. Existem dois tipos principais: a mola incompleta, que ocorre quando um óvulo normal é fecundado por um espermatozoide com DNA duplicado ou por dois espermatozoides, resultando em uma placenta imperfeita e um embrião com anomalias genéticas incompatíveis com a vida. Já a mola completa acontece quando um óvulo sem material genético é fecundado, gerando apenas uma placenta anormal, sem a formação de um embrião.
Em ambas as situações, a gestação é inviável e precisa ser interrompida, com a mola sendo retirada para evitar complicações como sangramento uterino e alterações na tireoide e pressão sanguínea. O risco mais grave, no entanto, é a evolução para o câncer de placenta, que ocorre quando células da mola se instalam no útero. Este desenvolvimento é mais comum em casos de mola completa, afetando uma em cada cinco mulheres, enquanto em molas parciais, a incidência é inferior a 5%.
A evolução para câncer e a importância do diagnóstico
A mola gestacional é um tumor benigno que, em até 20% dos casos, pode evoluir para um câncer de placenta maligno. Em situações mais agressivas, há risco de metástase, principalmente para os pulmões. No Brasil, a incidência da doença é de uma a cada 200 a 400 gestações, uma taxa significativamente maior do que em países como Estados Unidos (uma a cada mil) e Inglaterra (uma a cada duas mil), com suspeitas de fatores genéticos, imunológicos e alimentares como possíveis causas, embora nada esteja totalmente estabelecido.
A maioria das pacientes descobre a mola durante um ultrassom de rotina, após a confirmação da gravidez. Muitas nunca ouviram falar da doença antes, o que ressalta a necessidade de informação, apesar de não ser uma condição rara. O Ambulatório de Doença Trofoblástica Gestacional da Maternidade Escola da UFRJ, por exemplo, um dos três maiores centros de atendimento e pesquisa do mundo, atende cerca de 80 pacientes por semana, incluindo mulheres de outros estados e até mesmo aquelas com plano de saúde.
A busca por atendimento em centros de referência é fundamental. Estudos indicam que mulheres acompanhadas fora dessas unidades especializadas têm de 10 a 20 vezes mais chances de morrer. A expertise e o suporte oferecidos nesses locais são cruciais para o manejo adequado da doença e para garantir as melhores chances de cura e recuperação.


