Oftalmologista alerta que uso excessivo de telas reduz ato de piscar em crianças e adolescentes
A oftalmologista Ana Paula Silverio afirma que telas muito próximas ao rosto diminuem a frequência do piscar, provocando evaporação das lágrimas e sensação de secura ocular. Ela participou de debate no 70º Congresso Brasileiro de Oftalmologia, em Salvador, que termina neste sábado.

O uso excessivo de celulares e tablets por crianças e adolescentes reduz a frequência do piscar e tem levado a casos de olho seco cada vez mais comuns em consultórios de oftalmologia pediátrica.
Durante o 70º Congresso Brasileiro de Oftalmologia, em Salvador, especialista relata aumento de casos de olho seco em consultórios pediátricos e cita limite de duas horas diárias recomendado pela Sociedade Brasileira de Pediatria
Telas próximas ao rosto diminuem a frequência do piscar
O uso excessivo de celulares e tablets entre crianças e adolescentes pode reduzir a frequência de um hábito involuntário, o de piscar, contribuindo para casos popularmente conhecidos como olho seco. A condição é caracterizada pela falta de lubrificação adequada na superfície ocular, decorrente de produção insuficiente de lágrimas ou de sua evaporação excessiva.
A oftalmologista Ana Paula Silverio explica que, ao permanecer por horas diante do celular ou do tablet, com as telas muito próximas ao rosto e aos olhos, a frequência do piscar diminui, o que leva à evaporação das lágrimas e à sensação de secura ocular. Ela participou de debate durante o 70º Congresso Brasileiro de Oftalmologia (CBO 2026), realizado em Salvador até o próximo sábado (12).
Segundo a especialista, as mães chegam ao consultório relatando que a criança ou o adolescente começou a piscar mais, além de apresentar desconforto. Os sintomas do olho seco incluem sensação de areia nos olhos, ardência, coceira, vermelhidão e visão embaçada.
Adolescentes concentram maior risco, diz oftalmologista
Para Ana Paula Silverio, o risco é ainda maior entre adolescentes, que passam boa parte do tempo de tela em frente a celulares, a menor das telas e a que mais tem potencial para prejudicar a visão. Outro agravante apontado por ela é que o uso do celular nessa faixa etária geralmente ocorre dentro do quarto, com pouca ou nenhuma iluminação.
A oftalmologista descreve uma rotina em que os adolescentes já fazem a maior parte dos estudos no tablet ou no computador na escola, voltam para casa e usam o celular no horário recreativo. Segundo ela, enquanto as crianças pequenas ainda são vistas brincando, com os adolescentes isso é mais difícil, e os pais costumam pedir ajuda médica para limitar o uso do aparelho.
Ana Paula Silverio afirma que a exposição às telas é característica da época atual e defende a redução do tempo de uso. Ela cita como referência o número máximo de duas horas diárias de telas recomendado pela Sociedade Brasileira de Pediatria para crianças acima de 6 anos e para adolescentes.


