Padres brasileiros são excomungados em conflito entre Vaticano e grupo ultraconservador
O Vaticano excomungou padres brasileiros ligados à Fraternidade Sacerdotal São Pio X, um grupo ultraconservador que defende a missa em latim. A medida, uma das mais severas da Igreja, ocorre após a ordenação de bispos sem autorização papal, reacendendo uma antiga disputa sobre a modernidade e a tradição católica.

Dois padres brasileiros foram excomungados pela Igreja Católica nas últimas semanas, em meio a um conflito entre o Vaticano e a Fraternidade Sacerdotal São Pio X.
A Fraternidade Sacerdotal São Pio X, que defende a missa em latim, enfrenta sanções da Igreja Católica após ordenações de bispos sem aval papal.
A excomunhão de padres brasileiros
Dois padres brasileiros, Françoá Rodrigues Figueiredo Costa e Rodrigo de Oliveira Silva, foram formalmente punidos com a excomunhão pela Igreja Católica. Ambos haviam aderido recentemente à Fraternidade Sacerdotal São Pio X (FSSPX), um grupo ultraconservador que defende a celebração da missa em latim e um retorno à "tradição" católica. A excomunhão é a sanção mais extrema prevista no direito canônico.
A punição implica que sacramentos como confissão, absolvição e matrimônio, se celebrados por esses padres, serão considerados nulos, pois eles não estão em comunhão com a Igreja. As missas, embora válidas por serem celebradas por um padre validamente ordenado, são consideradas ilícitas. A FSSPX, no entanto, contesta a validade prática da excomunhão, afirmando que os sacramentos permanecem válidos e que seus membros não são cismáticos.
O estopim do conflito e a abrangência das sanções
A recente onda de excomunhões foi desencadeada em 1º de julho, quando líderes da FSSPX ordenaram quatro novos bispos em Ecône, Suíça, sem a aprovação do papa. No catolicismo, apenas o papa tem autoridade para nomear bispos. O Vaticano havia alertado previamente que a desobediência resultaria em cisma e excomunhão.
Diferente de excomunhões anteriores, como a de 1988, que atingiu apenas os bispos ordenados e participantes da ordenação, a sanção atual se estendeu a todos que aderissem formalmente à Fraternidade, incluindo padres e fiéis leigos. Esta ampliação da punição foi uma novidade, conforme explicado pelo Dicastério para a Doutrina da Fé, que publicou uma nota detalhando as consequências.
Repercussões no Brasil e a postura dos padres
Após as ordenações na Suíça, a Santa Sé instruiu os bispos a contatar padres que haviam aderido à FSSPX, buscando convencê-los a retornar à Igreja para evitar a excomunhão. O padre Rodrigo de Oliveira Silva, que celebrava a missa tridentina em Campo Limpo Paulista, foi procurado pelo bispo de Jundiaí, mas recusou-se a retirar sua adesão, resultando na publicação de sua excomunhão.
Silva, que estava suspenso desde janeiro, lançou uma campanha para arrecadar fundos para seu apostolado. O padre Françoá Costa, cuja excomunhão foi anunciada pela Arquidiocese de Brasília, também é ativo nas redes sociais e havia aderido à FSSPX em abril de 2025. Ambos os sacerdotes mantêm a posição de que não estão excomungados.


