Polícia deflagra Operação Metástase contra roubo de medicamentos
A Operação Metástase, deflagrada pela Polícia Civil do Rio de Janeiro, visa desarticular uma organização criminosa especializada em roubo e distribuição de medicamentos oncológicos e imunossupressores. O grupo, que movimentou mais de R$ 33 milhões, reinseria os produtos roubados no mercado, inclusive em instituições públicas de saúde.

Organização criminosa interestadual movimentou mais de R$ 33 milhões e usava empresas de fachada para revender produtos oncológicos e imunossupressores.
Operação Metástase mira esquema interestadual
Policiais civis do Rio de Janeiro deflagraram a Operação Metástase para desarticular uma organização criminosa interestadual. O grupo era especializado em roubos e distribuição de medicamentos oncológicos e imunossupressores. As investigações revelaram que a quadrilha movimentou mais de R$ 33 milhões em um ano, utilizando empresas de fachada para recolocar o material roubado no mercado.
A operação cumpre dezenas de mandados de busca e apreensão e de prisão contra integrantes e lideranças do grupo. As diligências ocorrem simultaneamente no Complexo da Maré, na zona norte do Rio, na Baixada Fluminense, além de endereços em São Paulo, Goiás e Pará, com apoio de unidades policiais locais.
Foi solicitado o bloqueio de R$ 30 milhões em contas bancárias, além do sequestro de imóveis, veículos de luxo e outros bens. Esses ativos eram utilizados pelo bando para ocultar o patrimônio, evidenciando a sofisticação da estrutura criminosa.
Estrutura e Modus Operandi da Organização
A polícia identificou uma organização criminosa altamente sofisticada e violenta, focada em roubos de cargas de medicamentos oncológicos e imunossupressores de alto valor de mercado. Esses produtos seriam destinados tanto à rede privada quanto à rede pública de saúde. O grupo participou de pelo menos 20 crimes semelhantes nos últimos seis meses.
A movimentação financeira do esquema superou R$ 33 milhões no período de um ano, entre 2025 e 2026, por meio da utilização de empresas de fachada. O material roubado era reinserido em instituições públicas de saúde de todo o país através de processos licitatórios na modalidade de tomada de preços.
Os policiais identificaram diferentes núcleos de atuação dentro da organização: o núcleo dos que roubavam; o núcleo logístico-financeiro intermediário; o núcleo logístico-financeiro final; e o núcleo de suporte territorial. Essa divisão de tarefas demonstra a complexidade do esquema.
Reintrodução dos Produtos e Apoio Crimininoso
O esquema ia além do roubo das cargas. Após as ações criminosas, os medicamentos eram levados para áreas dominadas pelo Terceiro Comando Puro (TCP), no Complexo da Maré. Lá, ocorria o transbordo e a redistribuição da carga, com a facção criminosa fornecendo apoio bélico e proteção aos roubadores.
Um segundo núcleo era responsável pelo armazenamento, fracionamento e envio dos medicamentos roubados. Para ocultar a origem dos produtos e distribuí-los aos receptadores finais em diversos estados, os criminosos utilizavam empresas de fachada, transportadoras, entregadores e "laranjas".


