Recrutamento de menores por grupos armados cresce na Colômbia
O recrutamento de menores por grupos armados na Colômbia tem aumentado, com 386 casos registrados em 2025. A prática é mais acentuada no departamento de Cauca, onde a população indígena é a mais afetada. Grupos utilizam redes sociais para aliciar jovens com promessas financeiras, explorando a ausência do Estado e a falta de oportunidades.

Em 2025, 386 casos de recrutamento de crianças e adolescentes por grupos armados foram registrados na Colômbia, um problema crescente que afeta principalmente o departamento de Cauca.
O problema atinge principalmente o departamento de Cauca, no sudoeste do país, com o uso de redes sociais para aliciar crianças e adolescentes.
Aumento do recrutamento de menores na Colômbia
O recrutamento de crianças e adolescentes por grupos armados na Colômbia tem apresentado um crescimento nos últimos meses. Em 2025, foram documentados 386 casos envolvendo menores, embora se estime que os números reais sejam ainda maiores devido ao medo e à falta de denúncias nas comunidades afetadas.
Essa violação dos direitos humanos é mais evidente no departamento de Cauca, localizado no sudoeste do país, onde a população indígena é a mais atingida. Nessa região, coexistem grupos como dissidentes das FARC, o ELN e diversas facções criminosas, que exercem controle sobre as comunidades e aliciam os jovens.
Aliciamento e promessas econômicas como tática
Grupos armados utilizam o aliciamento como uma tática fundamental para atrair jovens, muitas vezes com promessas de melhores perspectivas econômicas. Juan, um jovem de 15 anos recrutado, relatou ter sido convencido pela promessa de um salário de US$ 500 mensais, significativamente superior ao que ganhava trabalhando no campo.
Nini Johana Daza, liderança do Conselho Regional Indígena de Cauca (CRIC), explica que, mesmo quando há persuasão, trata-se de recrutamento forçado, pois os menores são coagidos a enxergar oportunidades em uma "armadilha mortal". A falta de alternativas para os jovens nas comunidades vulneráveis facilita essa abordagem dos grupos armados.
O papel crescente das redes sociais no aliciamento
Uma tendência preocupante é o uso intensivo das redes sociais pelos grupos armados para atrair crianças e adolescentes. María Mercedes Lievano, diretora da ONG Save the Children na Colômbia, destaca que esses grupos operam com "velocidade impressionante" para glorificar a narcocultura, o poder e o dinheiro, utilizando estratégias de marketing robustas.
Eles publicam slogans como "junte-se às tropas" e "inscreva-se e ganhe poder e reconhecimento", adaptando as mensagens a elementos culturais locais, como a música vallenato. Um professor de Cauca relatou o caso de um aluno que foi aliciado por meio de um perfil falso em rede social, sendo posteriormente ameaçado para se juntar ao grupo, evidenciando a sofisticação dessas táticas.


