União Europeia convoca reunião de emergência sobre crise migratória em Ceuta
A União Europeia realizará reuniões de emergência para abordar a crise migratória em Ceuta, após a entrada de aproximadamente 60 mil migrantes e a morte de 67 pessoas. A situação gerou tensões diplomáticas, com a Espanha condenando a suspensão do acordo Schengen pela Itália, Finlândia e Dinamarca, enquanto 22 estados-membros pedem ação coordenada e reforço das fronteiras externas.

A União Europeia agendou reuniões de emergência para 4 de agosto para discutir a crise migratória em Ceuta, após a entrada de cerca de 60 mil migrantes e a morte de 67 pessoas.
Decisão ocorre após a entrada de 60 mil migrantes no enclave espanhol e tensões entre estados-membros sobre o acordo Schengen.
Reunião de emergência e tensões diplomáticas
A União Europeia agendou reuniões de emergência para a próxima terça-feira, 4 de agosto, com o objetivo de discutir a crise migratória em Ceuta. A decisão surge após intensas trocas de acusações entre a Espanha e outros países europeus, evidenciando uma crescente tensão dentro do bloco em relação à gestão dos fluxos migratórios.
Vinte e dois estados-membros da UE enviaram uma carta conjunta solicitando uma ação coordenada e o fortalecimento das fronteiras externas da União. Este apelo foi feito depois que aproximadamente 60 mil migrantes entraram no enclave espanhol, vindo do Marrocos. A Espanha, por sua vez, criticou a reação de alguns países, classificando-a como "egoísta, polarizadora e ilegal", especialmente após a Itália suspender o acordo Schengen de livre circulação com a Espanha, uma medida apoiada pela Finlândia e Dinamarca.
Posicionamento espanhol e controle de fronteiras
O primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, expressou "sérias preocupações" em uma carta separada à presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, sobre a postura de alguns governos europeus. Ele destacou que, embora a maioria tenha demonstrado solidariedade, outros optaram por atacar a Espanha, motivados por preconceitos, notícias falsas ou interesses políticos, e ressaltou que Ceuta não faz parte do espaço Schengen.
As autoridades espanholas afirmam ter restabelecido o controle total da fronteira e impedido qualquer "movimento não autorizado em direção à Europa continental" em menos de 48 horas. O ministro do Interior espanhol, Fernando Grande-Marlaska, declarou que a situação em Ceuta praticamente retornou à normalidade, com quase todos os migrantes já tendo deixado o enclave e os comércios locais reabertos. O país também está desenvolvendo uma barreira inflável para conter a imigração ilegal por via marítima.
Impacto no espaço Schengen e reações europeias
A crise em Ceuta reacendeu preocupações sobre o Espaço Schengen, que permite a livre circulação entre 29 países e abrange mais de 450 milhões de pessoas. Além da suspensão do acordo pela Itália por um mês, Finlândia, França e Portugal também estão considerando ou analisando a implementação de controles de fronteira. A primeira-ministra dinamarquesa, Mette Frederiksen, instou a UE a "considerar todas as opções, incluindo a suspensão da cooperação Schengen".


