A filha de Fidel Castro reflete sobre o homem que nunca quis chamar de pai
Aos 70 anos, Alina Fernández, filha de Fidel Castro, compartilha suas memórias de uma infância marcada por visitas esporádicas do líder cubano, a descoberta de sua verdadeira paternidade aos 10 anos e sua eventual fuga de Cuba em 1993. Ela descreve a frustração com o regime e a personalidade de seu pai.

Alina Fernández, filha de Fidel Castro, relembra que o líder cubano lhe deu um boneco vestido como ele, um dos poucos presentes de um pai que ela nunca quis reconhecer.
Alina Fernández, única filha reconhecida do líder cubano, compartilha suas memórias de infância, a descoberta da paternidade e sua fuga de Cuba.
A infância e as visitas de Fidel Castro
Alina Fernández, nascida em Havana em 1956, passou grande parte de sua infância sem saber que Fidel Castro, o líder da Revolução Cubana, era seu pai biológico. Ela era fruto de um caso extraconjugal entre Castro e Naty Fernández. Desde cedo, recebia visitas frequentes de Castro, que se tornou uma figura presente em sua vida, embora de forma esporádica.
Suas primeiras lembranças de Castro são de um homem barbudo que aparecia na televisão, substituindo os desenhos animados. Ela recorda que ele brincava com ela no chão da sala e lhe trazia presentes, incluindo um boneco vestido como ele, cujas barbas ela costumava puxar, tratando-o como um brinquedo comum.
A descoberta da paternidade e o desencanto com o regime
Aos 10 anos, Alina descobriu a verdade sobre seu pai biológico, contada por sua mãe para evitar que soubesse por terceiros. A notícia trouxe uma "sensação de traição e mentira", pois muitas pessoas ao seu redor já conheciam os rumores. Ela se recusou a adotar o sobrenome Castro e a reconhecer publicamente sua paternidade por anos.
À medida que crescia, sua frustração com o sistema imposto por seu pai aumentava. Ela recebia cartas de pessoas que pediam sua ajuda para deixar Cuba, cujos familiares haviam sido executados. O culto à personalidade de Castro, com discursos longos e obrigatórios, era descrito por ela como um "pesadelo", fazendo-a sentir-se em um "hospício".
A personalidade de Castro e a fuga de Cuba
Alina descreve Fidel Castro como inteligente, perspicaz e educado, com uma "curiosidade infinita", mas também como alguém que mentia frequentemente e era propenso a monólogos, não a conversas. As visitas de Castro diminuíram após ela e sua mãe passarem um tempo na França, por decisão dele. Posteriormente, ele intervinha em sua vida com decisões "malucas", como rejeitar pretendentes ou mudar sua escola.
Desde cedo, Alina desejava sair de Cuba devido à escassez e ao sistema que rejeitava. Após o colapso da União Soviética e o início do "Período Especial" em Cuba, ela se tornou uma dissidente declarada e temia ser presa. Em 1993, com a ajuda de amigos, ela conseguiu fugir de Cuba usando um passaporte espanhol alterado, uma peruca e maquiagem, voando para Madri e, posteriormente, para os Estados Unidos.


