A história de Júlio Frank, o alemão que fundou uma sociedade secreta na Faculdade de Direito da USP
Conheça a trajetória de Johann Julius Gottfried Ludwig Frank, que se tornou professor na Faculdade de Direito da USP e criou a Burschenschaft Paulista, uma sociedade secreta com grande influência política no Brasil.

Júlio Frank, um intelectual alemão que migrou para o Brasil em 1828, fundou a influente sociedade secreta Bucha, sendo sepultado no pátio da Faculdade de Direito da USP.
Nascido em 1808, o intelectual migrou para o Brasil em 1828 e criou a Burschenschaft Paulista, conhecida como Bucha, sendo sepultado no pátio da instituição.
Um túmulo inusitado e um professor erudito
No pátio interno da Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (USP), no Largo São Francisco, centro da capital paulista, encontra-se um pequeno obelisco que marca o túmulo de Júlio Frank. Conhecido no Brasil como Júlio Frank, seu nome de batismo era Johann Julius Gottfried Ludwig Frank, um intelectual alemão nascido em 1808 que migrou para o Brasil em 1828. Sua presença ali é um testemunho de sua importância para a instituição.
Frank era um homem erudito, que começou a lecionar aulas particulares em repúblicas estudantis de São Paulo. Em 1834, foi nomeado professor de História, Filosofia e Geografia do curso anexo da Faculdade de Direito, que funcionava como uma escola preparatória. Contudo, o que lhe garantiu o direito de ser sepultado em local de destaque dentro do prédio universitário foi a fundação de uma sociedade secreta: a Burschenschaft Paulista, mais conhecida como Bucha.
A chegada ao Brasil e a vocação para o ensino
A vinda de Júlio Frank para o Brasil, em 1828, é cercada de mistério, conforme apontado pelo historiador Luís Soares de Camargo. Nascido em Gotha, na Turíngia, Alemanha, em 1808 (e não em 1809, como gravado em sua lápide), Frank frequentou a Universidade de Gottingen, destacando-se em Filosofia, Letras, História e Matemática. No entanto, sua expulsão da instituição devido a brigas e dívidas o levou a fugir para o Brasil.
A viagem transatlântica foi árdua, e ao chegar ao Rio de Janeiro, Frank seguiu para São Paulo e depois para Sorocaba. Sua habilidade como professor logo chamou a atenção da elite sorocabana, e ele passou a dar aulas particulares para filhos de fazendeiros que se preparavam para ingressar na Faculdade de Direito do Largo São Francisco. Sua personalidade e conhecimento cativaram os alunos, que o levaram consigo para São Paulo, garantindo sua continuidade como mestre.
A fundação da Bucha e seus ideais
Em São Paulo, uma cidade com 11 mil habitantes e 300 estudantes universitários na época, Frank e seus pupilos se estabeleceram em uma república estudantil. Ele continuou a lecionar, destacando-se por sua sólida formação e conhecimento em diversas áreas. Observando a dificuldade de alguns estudantes em se manterem financeiramente, Frank propôs a criação de uma associação de auxílio, inspirada nas "Burschenschaften" alemãs.


