Argentina evita retaliação e atribui crise diplomática ao Brasil
A Argentina reagiu ao rebaixamento diplomático imposto pelo Brasil, afirmando que não retaliará e que manterá seu embaixador em Brasília. O governo Milei acusa o Brasil de isolar-se da região por motivos ideológicos, enquanto o presidente argentino reitera ataques a Lula.

O governo argentino de Javier Milei classificou como unilateral a decisão do Brasil de rebaixar a relação diplomática, atribuindo a crise a razões ideológicas brasileiras.
Após rebaixamento da relação bilateral, governo Milei classifica decisão brasileira como unilateral e acusa o país de isolamento ideológico.
Reação argentina ao rebaixamento diplomático
O governo argentino de Javier Milei reagiu ao rebaixamento diplomático imposto pelo Brasil, buscando reverter a narrativa da crise bilateral. Em comunicação divulgada pelo ministro das Relações Exteriores, Pablo Quirno, a Argentina classificou a decisão brasileira como unilateral. O governo Milei afirmou que não retaliará na mesma medida e manterá seu embaixador em Brasília.
A nota argentina acusou o Brasil de "isolar-se do resto da região por questões puramente ideológicas". Para Buenos Aires, os ataques de Milei a Lula representam apenas diferenças políticas pessoais, desconsiderando a gravidade das ofensas e a representação dos cargos. A Argentina entende que a decisão de institucionalizar os ataques partiu do Brasil.
O texto argentino ressaltou que, em episódios anteriores de expressões políticas cruzadas entre políticos dos dois países, a Argentina optou por não transformar as diferenças em incidentes diplomáticos. "Nunca respondemos a uma diferença política com uma medida institucional", afirmou o chanceler, indicando que a Argentina não escalará o conflito. A política externa argentina, segundo Quirno, continuará focada na defesa do interesse nacional.
Novos ataques de Milei a Lula
Enquanto o chanceler argentino tentava equilibrar a situação diplomática, o presidente Javier Milei voltou a atacar o presidente brasileiro. Em entrevista ao canal La Casa Streaming, Milei reiterou que "Lula é um ladrão, um corrupto, esteve preso e foi tirado da prisão por um argumento administrativo".
Questionado sobre a possibilidade de suas declarações influenciarem as eleições no Brasil, Milei expressou esperança de que sim, desejando que o Brasil "se pinte de azul", em referência a vitórias de candidatos de direita ou extrema-direita. Ele acrescentou que "livrar-se dos corruptos ladrões sempre é bom" e "livrar-se dos esquerdistas sempre é bom", aludindo novamente a Lula.
Milei também mencionou que Lula foi uma das poucas personalidades que não o parabenizaram pela vitória em 2023, atribuindo isso a uma suposta intervenção de Lula para favorecer o candidato Sergio Massa. O presidente argentino, no entanto, ignorou o fato de ter chamado Lula de "comunista e corrupto" durante sua própria campanha eleitoral. Esta foi a terceira vez em dez dias que Milei proferiu tais ofensas.


