Cirurgia experimental corrige gastrosquise em bebê ainda no útero
A mãe, Maisie Savage, foi operada com 26 semanas de gestação nos Estados Unidos, onde uma equipe médica recolocou os órgãos do bebê Theo no abdômen, marcando um avanço significativo na medicina fetal.

Um bebê britânico foi o primeiro do Reino Unido a passar por uma cirurgia experimental ainda no útero para corrigir uma gastrosquise complexa, uma malformação congênita grave.
Procedimento inédito no Reino Unido foi realizado nos Estados Unidos como parte de um estudo clínico pioneiro.
Um diagnóstico desafiador e a busca por solução
Maisie Savage, de Londres, e Josh French, pais de Theo, descobriram a gastrosquise do filho durante um exame de rotina de 20 semanas. A condição, que afeta um em cada 3 mil bebês no Reino Unido anualmente, é caracterizada pelo desenvolvimento do intestino fora do abdômen devido a uma falha no fechamento da parede abdominal. O diagnóstico foi um choque para o casal, que não esperava nenhuma complicação.
Inicialmente, os médicos do Great Ormond Street Hospital, em Londres, prepararam os pais para os desafios que Theo enfrentaria nos primeiros seis meses de vida. No entanto, ao constatar que o bebê apresentava a forma mais grave da doença, conhecida como gastrosquise complexa, a equipe médica encaminhou o caso para o Hospital Infantil do Texas, nos Estados Unidos, onde um estudo clínico pioneiro estava em andamento.
Casos complexos de gastrosquise podem exigir internações de até seis meses em UTI neonatal, múltiplas cirurgias, alimentação intravenosa por até dois anos e, em algumas situações, transplante de intestino. Mesmo com atendimento de excelência, a taxa de mortalidade pode chegar a um em cada dez bebês. A perspectiva de um tratamento intrauterino oferecia uma nova esperança para a família.
A cirurgia inovadora nos Estados Unidos
Maisie Savage foi informada de que precisaria viajar imediatamente para o Texas e permanecer lá até o fim da gestação para participar do estudo clínico. Antes do procedimento principal, ela viajou para o Hospital de Leuven, na Bélgica, onde especialistas aplicaram uma injeção de Botox na parede abdominal de Theo, através do útero, para relaxar a musculatura e facilitar a cirurgia subsequente.
O procedimento cirúrgico foi realizado em novembro, quando Savage estava com 26 semanas de gestação, no Hospital Infantil do Texas. A equipe de cirurgiões fetais e pediátricos, liderada pelo médico Michael Belfort, que já havia sido pioneiro em cirurgias intrauterinas para espinha bífida, conduziu a operação. A espera durante a cirurgia foi descrita como angustiante pelos pais.
Para realizar a intervenção, os médicos expuseram parcialmente o útero de Savage, drenaram o líquido amniótico e o preencheram com dióxido de carbono para ampliar o espaço cirúrgico. Em seguida, por meio de uma cirurgia minimamente invasiva, os órgãos de Theo foram cuidadosamente recolocados no abdômen, que foi então fechado com suturas. Theo foi o terceiro bebê no mundo a participar deste estudo.


