Por que a cafeína age de forma tão diferente em cada pessoa
A cafeína é a substância psicoativa mais consumida do mundo, mas seus efeitos variam de pessoa para pessoa. A genética, o hábito de consumo, o tabagismo e o uso de medicamentos ajudam a explicar por que alguns dormem normalmente após um café e outros ficam acordados até tarde.

A cafeína pode levar de seis a 20 horas para ser eliminada do organismo, e a velocidade desse processo depende de um único gene, o CYP1A2.
Genética, hábitos, medicamentos e tabagismo alteram o tempo que o organismo leva para eliminar a substância, que pode permanecer no corpo de seis a 20 horas
Uma substância que mascara o cansaço, não o elimina
A cafeína é a substância psicoativa mais consumida no mundo. São mais de dois bilhões de xícaras de café por dia, sem contar refrigerantes, bebidas energéticas, chocolates, chicletes e suplementos esportivos que também carregam a substância química.
Segundo especialistas ouvidos pela reportagem, ela não entrega energia extra ao organismo. O que faz é bloquear a ação da adenosina, composto que se acumula no cérebro ao longo do dia e sinaliza a sensação de sono. Ao barrar esse mecanismo, a cafeína deixa a pessoa mais alerta, melhora a concentração e afasta o cansaço.
Em excesso, porém, provoca dores de cabeça, nervosismo, aceleração dos batimentos cardíacos e noites mal dormidas.
O gene que define a velocidade do metabolismo
Um fator central é o tempo que a cafeína permanece no organismo. Após ser absorvida pela corrente sanguínea e chegar ao cérebro, ela é decomposta por uma enzima do fígado e depois eliminada na urina. Esse processo de limpeza pode levar de seis a 20 horas, conforme a pessoa, afirma Marilyn Cornelis, professora associada de nutrição da Universidade Northwestern, em Chicago.
A rapidez com que o fígado processa a cafeína depende de um único gene, conhecido como CYP1A2. Esse traço pode ser influenciado, ao menos em parte, pela ancestralidade: um estudo publicado este ano constatou que europeus e sul-americanos tendem, em média, a metabolizar a cafeína mais rapidamente.
"É possível tomar a primeira xícara de café e talvez não sentir os efeitos", diz Cornelis. "Mas duas ou três horas depois, a cafeína ainda está presente no organismo e, se você tomar uma segunda xícara, isso pode ser o suficiente para desequilibrar a balança e você começar a se sentir um pouco ansioso."
Tabagismo, remédios e gravidez mudam a equação
O DNA está longe de ser toda a história. Fumar, mas provavelmente não os cigarros eletrônicos, parece estimular o fígado a metabolizar a cafeína muito mais rápido, acelerando o processo em até 65%. Isso ajudaria a explicar por que fumantes tendem a beber mais café e por que quem para de fumar pode achar a xícara habitual muito mais forte do que antes.


