Empresa de IA destrói milhões de livros para treinar modelo
A empresa de inteligência artificial Anthropic foi alvo de um processo judicial por violação de direitos autorais, que expôs sua prática de comprar, desmembrar e escanear milhões de livros para alimentar seu modelo Claude. A decisão judicial considerou essa prática como 'uso justo' sob a lei americana.

Um processo judicial na Califórnia revelou que a Anthropic adquiriu e destruiu milhões de livros físicos para digitalizar seu conteúdo e treinar a inteligência artificial Claude.
Processo judicial nos EUA revela metodologia da Anthropic para treinar IA Claude
A metodologia da Anthropic revelada em processo
Um processo judicial por violação de direitos autorais, movido na Califórnia, Estados Unidos, trouxe à tona a controversa metodologia utilizada pela empresa Anthropic para treinar seus modelos de inteligência artificial. A ação foi iniciada por três escritores – Andrea Bartz, Charles Graeber e Kirk Wallace – que alegam que a empresa utilizou o conteúdo de seus livros sem permissão. Este caso lança luz sobre as práticas por trás do desenvolvimento de IAs como o Claude.
Para alimentar seu robô, a Anthropic adquiriu milhões de cópias de livros nos EUA em fevereiro de 2024. O processo envolvia a remoção das lombadas e o corte das páginas de cada obra para ajustá-las ao tamanho de scanners. Funcionários da empresa então digitalizavam cada página, utilizando um software para extrair textos e frases, que eram incorporados à vasta base de dados para o treinamento do Claude. Após a digitalização, os livros eram picotados e descartados.
O debate sobre 'uso justo' e os custos ocultos da IA
A prática da Anthropic evoca comparações com cenários distópicos, como o retratado em "Fahrenheit 451", onde livros são destruídos. Este episódio destaca uma dimensão física e real por trás das disputas em torno da Inteligência Artificial, que muitas vezes parece operar em um plano etéreo. A destruição de obras literárias é vista como um dos "vestígios profanos" dos modelos de negócio das grandes empresas de tecnologia, que buscam superar obstáculos físicos para desenvolver softwares avançados de forma rápida e econômica.
A empresa justificou sua abordagem pela necessidade de literatura de alta qualidade para treinar seu modelo Claude, buscando replicar a metodologia anteriormente empregada pelo Google para sua biblioteca virtual. O Google conseguiu argumentar em tribunais dos EUA que a criação e disponibilização de uma cópia digital de um livro físico comprado regularmente constituía "uso justo" da obra.
Contudo, críticos argumentam que o caso da Anthropic difere, pois não se trata de democratizar o acesso a obras literárias, mas sim de alimentar um modelo de IA que as transformará e gerará lucro em diversas aplicações. Essa distinção torna o processo judicial um marco histórico no debate sobre direitos autorais e inteligência artificial.


