Entidades internacionais criticam decisão de Moraes sobre fonte jornalística
A medida, que permitiu a identificação de um informante a partir de material apreendido de um jornalista, é vista como uma ameaça ao sigilo da fonte e à liberdade de imprensa no Brasil.

Entidades internacionais de imprensa criticaram a decisão do ministro Alexandre de Moraes que autorizou busca e apreensão contra uma suposta fonte de jornalista.
Organizações de defesa da imprensa alertam para 'precedente perigoso' após identificação de informante em investigação
Decisão judicial e operação da Polícia Federal
O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou em 11 de agosto uma operação de busca e apreensão da Polícia Federal (PF) contra Raimundo Cutrim. Ele é um ex-secretário do governo do Maranhão e foi apontado como uma das fontes do jornalista Luís Pablo.
A medida faz parte de uma investigação sobre a obtenção e divulgação de informações relacionadas ao ministro Flávio Dino, também do STF. A PF identificou Cutrim após analisar equipamentos apreendidos anteriormente com o jornalista, que havia publicado reportagens sobre o uso de veículos do Tribunal de Justiça do Maranhão por Dino e seus familiares.
Identificação da fonte e a controvérsia
Em março, Luís Pablo foi alvo de uma primeira operação, na qual a PF apreendeu celulares, notebooks e outros dispositivos. A análise desse material, segundo os investigadores, levou à identificação de Cutrim como a pessoa que teria fornecido imagens e informações obtidas em sistemas de acesso restrito.
Com base nessas informações, a PF solicitou novas buscas contra Cutrim, pedido que recebeu parecer favorável da Procuradoria-Geral da República e foi autorizado por Moraes. A controvérsia central não se limita ao conteúdo das reportagens, mas à maneira como a investigação chegou à identidade de uma fonte jornalística.
Repercussão de entidades de imprensa
A decisão provocou reação de entidades brasileiras e internacionais de defesa da liberdade de imprensa. Organizações como ARTICLE 19, Repórteres Sem Fronteiras (RSF) e Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP) manifestaram preocupação com a proteção constitucional e internacional das fontes jornalísticas.
A SIP afirmou que a violação do sigilo profissional constitui uma “grave ameaça ao exercício do jornalismo” e estabelece um “perigoso precedente para a liberdade de imprensa no Brasil”. Entidades nacionais como Abert, ANJ, Aner, Fenaj e o Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Maranhão também se manifestaram em defesa da proteção das fontes.
O escopo da investigação da Polícia Federal
A PF investiga se houve obtenção indevida de informações restritas, monitoramento do ministro Flávio Dino e de seus familiares, e uma possível relação financeira por trás das publicações. Segundo informações publicadas, a PF apura uma transferência de R$ 100 mil e se o blog de Luís Pablo funcionaria como veículo para matérias pagas com direcionamento político.


