Fim da Moratória da Soja pode gerar desmatamento adicional na Amazônia
A Moratória da Soja, acordo voluntário que impede a compra de soja de áreas desmatadas na Amazônia, pode ter seu fim, gerando um desmatamento adicional de 1,4 milhão de hectares e a emissão de 745 milhões de toneladas de CO₂. O Supremo Tribunal Federal (STF) começará a julgar ações sobre o tema em agosto.

Um estudo publicado na revista Science alerta que o fim da Moratória da Soja pode resultar em um desmatamento adicional de 1,4 milhão de hectares na Amazônia nos próximos dez anos.
Estudo aponta risco de desmatamento adicional de 1,4 milhão de hectares; Supremo Tribunal Federal julgará ações sobre o acordo em agosto.
Estudo projeta desmatamento e emissões com o fim da moratória
Um artigo publicado na revista Science alerta para as consequências do possível fim da Moratória da Soja, indicando um desmatamento adicional de 1,4 milhão de hectares na Amazônia nos próximos dez anos. Este volume representa um aumento de 17% em relação às taxas históricas de desmatamento na região.
A perda florestal projetada resultaria na liberação de aproximadamente 745 milhões de toneladas de CO₂ equivalente na atmosfera, um volume comparável às emissões anuais totais do Canadá. O estudo foi conduzido por pesquisadores de organizações como WWF Brasil e Greenpeace Brasil, além de instituições universitárias dos Estados Unidos.
Eficácia e impactos positivos da moratória
A pesquisa também avaliou os efeitos já observados da Moratória da Soja, um acordo voluntário que impede a compra de soja cultivada em áreas desmatadas da Amazônia a partir de 2008. Nos primeiros dez anos de sua implementação, o mecanismo contribuiu para uma redução de 35% no desmatamento em áreas de risco para a expansão da soja, evitando a perda de cerca de 1,8 milhão de hectares de floresta.
Tiago Reis, pesquisador do WWF-Brasil, defende a manutenção do acordo, ressaltando que a Moratória demonstrou a viabilidade de expandir a produção agrícola em conjunto com a conservação ambiental. Ele enfatiza a importância de manter instrumentos eficazes na redução do desmatamento como parte da estratégia de desenvolvimento do Brasil.
Mitos econômicos desmistificados pela pesquisa
O estudo refutou o argumento de que a Moratória da Soja teria limitado as oportunidades econômicas dos produtores. Os dados indicam que apenas cerca de 739 mil hectares de áreas aptas à soja foram desmatados legalmente após 2008, e a maior parte dessas áreas não estava em propriedades produtoras de soja. Além disso, a pesquisa identificou 1,7 milhão de hectares de áreas já abertas e adequadas para o cultivo de soja na Amazônia, o que permitiria o aumento da produção sem a necessidade de desmatar novas áreas.
Outra crítica, de que o acordo teria gerado distorções de mercado ou funcionado como um cartel, também foi contestada. Ao comparar os preços pagos aos produtores em municípios sob a Moratória e em regiões vizinhas não abrangidas, os pesquisadores concluíram que o mecanismo não afetou a remuneração dos produtores nem causou distorções. Tiago Reis argumenta que o acordo fortalece uma cadeia produtiva mais sustentável e competitiva, atendendo às crescentes exigências ambientais e de rastreabilidade dos mercados nacionais e internacionais.


