Governo Trump exalta Doutrina Monroe como base para política externa na América Latina
Um vídeo do Departamento de Estado dos EUA e a Estratégia de Segurança Nacional citam a Doutrina Monroe como fundamental para a abordagem de Washington na América Latina, reinterpretando-a para os desafios atuais, como a influência da China e questões de imigração e tráfico de drogas.

O governo de Donald Trump reafirmou a Doutrina Monroe, de 1823, como pilar de sua política externa para o continente americano, destacando sua aplicação em ações recentes.
Princípio do século 19 é reafirmado como diretriz para a atuação dos Estados Unidos no continente americano, com foco em questões regionais e na contenção da influência chinesa.
Reafirmação da Doutrina Monroe pelo governo Trump
O governo de Donald Trump tem exaltado a Doutrina Monroe como um princípio orientador de sua política externa para o continente americano, mais de dois séculos após sua formulação em 1823. Um vídeo divulgado pelo Departamento de Estado dos Estados Unidos em agosto de 2020 afirmou que a doutrina encontrou em Donald Trump seu mais recente defensor, destacando a captura do ex-presidente venezuelano Nicolás Maduro como um exemplo de sua aplicação moderna.
A declaração de Monroe, que inicialmente alertava potências europeias, evoluiu para uma estrutura de domínio regional, servindo como pedra angular da conduta americana no hemisfério. Essa perspectiva foi reforçada pela Casa Branca, que, no fim de 2019, citou explicitamente a Doutrina Monroe em sua Estratégia de Segurança Nacional, indicando-a como referência para o relacionamento dos EUA com a América Latina.
Origem e propósito inicial da doutrina
A Doutrina Monroe foi estabelecida em 1823 pelo então presidente dos EUA, James Monroe. Em seu discurso anual ao Congresso, Monroe declarou que qualquer tentativa de potências europeias de estender seus sistemas políticos a qualquer parte do hemisfério americano seria considerada perigosa para a paz e segurança dos Estados Unidos. Essa postura surgiu em um contexto de recentes independências de colônias americanas e de disputas imperiais na Europa.
A doutrina estabelecia que intervenções europeias no continente americano seriam interpretadas como ameaças à segurança dos EUA, que, por sua vez, se comprometiam a não se envolver em conflitos internos europeus. Dessa forma, os Estados Unidos se posicionavam como uma espécie de 'tutores' dos países americanos, definindo a região como estratégica e prioritária para seus próprios interesses.
Reinterpretações e a política do 'grande porrete'
Ao longo da história, a Doutrina Monroe foi reinterpretada por diferentes administrações da Casa Branca, justificando intervenções diretas ou indiretas dos EUA no continente, especialmente no Caribe e na América Central. Essas reinterpretações são conhecidas como 'corolários', que adicionam ou esclarecem as afirmações originais da doutrina.


