Grande Muralha Verde restaura 1,66 milhão de hectares no Sahel
O balanço da Convenção das Nações Unidas para o Combate à Desertificação (UNCCD) destaca a restauração de 1,66 milhão de hectares no Sahel, além da criação de 4,6 milhões de empregos e o impacto direto em 46 milhões de pessoas. O esforço visa combinar recuperação de terras com segurança alimentar e resiliência climática.

A iniciativa Acelerador da Grande Muralha Verde, após cinco anos, restaurou 1,66 milhão de hectares no Sahel africano, conforme relatório da UNCCD.
Iniciativa Acelerador da Grande Muralha Verde completa cinco anos com balanço positivo, mas aponta desafios no monitoramento e financiamento.
Avanços na restauração do Sahel
A iniciativa Acelerador da Grande Muralha Verde, que completou cinco anos, alcançou a restauração de aproximadamente 1,66 milhão de hectares na região do Sahel, na África. Este resultado, divulgado em relatório pela Convenção das Nações Unidas para o Combate à Desertificação (UNCCD), representa um marco significativo nos esforços para reverter a degradação ambiental na faixa entre o deserto do Saara e a savana do Sudão.
Além da recuperação de terras, o balanço da UNCCD destaca outros impactos positivos. Foram sequestradas ou mitigadas 24 milhões de toneladas de CO₂ equivalente, criados 4,6 milhões de empregos e 46 milhões de pessoas foram diretamente beneficiadas pelas ações. O projeto visa integrar a recuperação de paisagens e áreas agrícolas com a promoção da segurança alimentar, a geração de oportunidades econômicas, o acesso à energia limpa e o aumento da resiliência das comunidades frente às mudanças climáticas e à seca.
Desafios no monitoramento e dados
Apesar dos avanços, o relatório da UNCCD aponta limitações no acompanhamento dos resultados. O Observatório da Grande Muralha Verde monitora mais de 389 projetos, mas menos de 90 fornecem dados alinhados aos indicadores harmonizados da iniciativa. A UNCCD considera os resultados atuais como iniciais, ressaltando que a restauração de terras é um processo de longo prazo, que pode levar anos ou décadas para se concretizar plenamente.
Para superar a fragmentação das informações, foi criado em 2024, em Ouagadougou, Burkina Faso, o Observatório da Grande Muralha Verde. Esta plataforma centraliza dados sobre projetos, financiamento, resultados e informações geoespaciais, sendo endossada por dez dos 11 países fundadores. Coalizões nacionais também foram estabelecidas em nove países, reunindo diversos setores para melhorar a coordenação e garantir que os compromissos financeiros se traduzam em ações verificáveis no território.
Financiamento e impacto social
O Acelerador foi lançado após a Cúpula One Planet em 2021, quando parceiros técnicos e financeiros prometeram mais de US$ 19 bilhões para a Grande Muralha Verde. A iniciativa atua como uma estrutura para coordenar esses esforços e fortalecer a capacidade dos países de demonstrar os resultados. Contudo, o relatório indica que a conversão desses compromissos em resultados concretos ainda é um desafio, devido à falta de dados completos, dificuldades de coordenação e o tempo necessário para que os recursos cheguem às ações no campo.


