Hamas aceita plano preliminar para desarmamento em Gaza
O plano, apoiado por Donald Trump, prevê o inventário e armazenamento de armas pesadas sob supervisão palestina, podendo ser o primeiro passo para o fim da guerra.
Após meses de negociações intensas, o Hamas aceitou uma versão preliminar de um plano para o desarmamento completo de grupos armados em Gaza.
A decisão, tomada após meses de negociações, pode remover um obstáculo significativo para a paz na região.
Aceitação do plano de desarmamento
Após meses de negociações intensas, o Hamas aceitou, pela primeira vez, uma versão preliminar do plano do Conselho de Paz para o "desarmamento completo" do próprio Hamas e de outros grupos armados em Gaza. Este plano, criado pelo ex-presidente americano Donald Trump, visa estabelecer um caminho para a estabilidade na região.
A proposta central do plano prevê o inventário e o armazenamento das armas pesadas remanescentes sob supervisão palestina. Esta condição é vista como crucial, pois pode eliminar um dos principais obstáculos ao avanço da iniciativa de paz para Gaza, que tem o apoio de Trump.
Nova liderança e motivações
A decisão do Hamas ocorreu pouco depois da eleição de sua nova liderança, que levou Khalil al-Hayya, baseado em Gaza, ao comando do movimento. Ele substituiu Yahya Sinwar, que foi morto em um ataque do Exército israelense em Gaza em outubro de 2024.
Autoridades palestinas envolvidas nas negociações acreditam que a nova liderança demonstrou disposição para tomar o que descrevem como a decisão política mais importante na história do Hamas. Essa postura foi motivada, em grande parte, pelas condições humanitárias devastadoras enfrentadas por mais de dois milhões de palestinos na Faixa de Gaza. Um alto dirigente do Hamas confirmou à BBC que as conversas foram "longas e extremamente difíceis", com o grupo insistindo na formulação de "inventário e armazenamento de armas" sob supervisão palestina, em vez de entregá-las a Israel.
Ceticismo da população em Gaza
Apesar da importância do anúncio, a população em Gaza recebeu a notícia com pouca empolgação. Após anos de cessar-fogos fracassados e acordos que acabaram ruindo, muitos palestinos desenvolveram um profundo ceticismo em relação a novos avanços políticos.
Nas redes sociais, cidadãos compartilharam suas opiniões, indicando que estão menos interessados nos detalhes das negociações e mais preocupados em saber se este acordo realmente colocará fim à guerra. A prioridade é o retorno das famílias deslocadas para casa e um alívio duradouro, com a confiança tanto no Hamas quanto em Israel permanecendo baixa devido a falhas anteriores.
Detalhes e fases do acordo
A BBC obteve o texto do esboço de quatro páginas do plano, que estabelece um processo em fases. Este processo liga o desarmamento do Hamas a uma retirada militar israelense gradual e à implementação de uma nova autoridade palestina de transição, que seria apoiada por uma força internacional de estabilização.