Lula e Xi Jinping discutem acordo Mercosul-China após tarifas dos EUA
Em um telefonema de mais de uma hora, os líderes do Brasil e da China discutiram o aprofundamento da cooperação e a possibilidade de um acordo Mercosul-China. A conversa ocorreu dias após os Estados Unidos imporem novas tarifas sobre exportações brasileiras, com a China expressando apoio à soberania do Brasil.
Os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Xi Jinping conversaram por telefone, defendendo a aceleração das negociações para um acordo comercial entre o Mercosul e a China.
A conversa telefônica entre os presidentes do Brasil e da China abordou a cooperação bilateral e a aceleração de um pacto comercial, em um cenário de novas tarifas impostas pelos Estados Unidos.
Diálogo entre líderes e o acordo Mercosul-China
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente da China, Xi Jinping, realizaram uma conversa telefônica na noite de domingo, 26 de julho, com duração superior a uma hora. O diálogo focou no aprofundamento da cooperação bilateral em áreas estratégicas e na aceleração das negociações para um acordo comercial entre o Mercosul e a China. O governo brasileiro destacou que a ligação tratou da implementação de sinergias entre os projetos nacionais de desenvolvimento de ambos os países.
Durante a conversa, o presidente Lula reiterou o compromisso de seu governo com a diversificação de mercados e parceiros comerciais. Ambos os líderes concordaram sobre a relevância de agilizar as tratativas para um acordo entre o Mercosul e a China, enfatizando a necessidade de contemplar as flexibilidades essenciais para sua concretização.
O contexto das tarifas americanas
A ligação telefônica ocorreu poucos dias após a implementação de uma nova tarifa de 25% pelo governo de Donald Trump, que incidiu sobre parte das exportações brasileiras. Esta medida representou um aumento significativo nos custos para produtos específicos do Brasil no mercado americano.
Na semana anterior, os Estados Unidos também haviam anunciado uma segunda tarifa, de 12,5%, direcionada a 60 de seus parceiros comerciais, incluindo o Brasil. A justificativa apresentada foi a suposta falha desses países em combater adequadamente o trabalho forçado em suas cadeias produtivas. A nota divulgada pelo Planalto, contudo, não fez menção explícita ao tema das tarifas americanas como um dos pontos discutidos entre Xi Jinping e Lula.
Posicionamento chinês e apoio ao Brasil
Em sua própria comunicação sobre o telefonema, o governo chinês sublinhou a importância de Brasil e China se posicionarem "firmemente do lado certo da história" diante de "novas circunstâncias e desafios". Pequim defendeu que os dois países devem desempenhar um papel mais proeminente na reforma e aprimoramento do sistema de governança global, além de atuar na defesa da equidade e da justiça internacionais.