STF autoriza inquérito da Polícia Federal contra Fábio Luís Lula da Silva
A investigação atual se concentra em possíveis crimes de tráfico de influência e corrupção para favorecer um lobista ligado a fraudes no INSS. Lulinha já foi alvo de outras apurações, incluindo na Operação Lava Jato, que foram arquivadas.
O ministro André Mendonça, do STF, autorizou a Polícia Federal a abrir inquérito para investigar Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, por suspeitas de tráfico de influência e corrupção.
Filho do presidente Lula é investigado por suspeitas de tráfico de influência e corrupção, com histórico de apurações anteriores.
Nova investigação no Supremo Tribunal Federal
O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou a Polícia Federal (PF) a iniciar um inquérito para investigar Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A apuração se concentra em possíveis crimes de tráfico de influência e corrupção, com o objetivo de verificar se Lulinha teria agido para beneficiar o lobista Antônio Carlos Camilo Antunes, apelidado de 'careca do INSS'. Antunes, apontado pela PF como um dos principais articuladores de fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social, encontra-se em prisão preventiva desde setembro.
A solicitação para a abertura do inquérito partiu da própria Polícia Federal na semana anterior à autorização do STF. O ministro Mendonça foi sorteado para ser o relator do caso na Corte. Esta nova fase de investigação surge após a Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS ter pedido o indiciamento e a prisão preventiva de Lulinha em seu relatório final, embora a proposta tenha sido rejeitada por 19 votos a 12 na comissão.
Histórico de apurações e arquivamentos
A trajetória de Fábio Luís Lula da Silva tem sido marcada por diversas investigações ao longo de mais de duas décadas. Em 2005, durante a CPMI dos Correios, que apurava o escândalo do mensalão, os negócios de Lulinha vieram à tona. Naquela época, parlamentares da oposição levantaram suspeitas sobre repasses de R$ 5 milhões da Telemar (atual Oi) para a Gamecorp, empresa da qual Lulinha era sócio, questionando se o fato de ser filho do presidente teria influenciado a transação. Embora seu nome tenha sido retirado do relatório final da comissão, o caso gerou um inquérito da PF em 2007, que foi arquivado em 2012 sem depoimentos.
As suspeitas ressurgiram em 2015, quando a Operação Lava Jato abriu uma nova investigação sobre os repasses da Telemar/Oi a empresas ligadas a sócios de Lulinha na Gamecorp, totalizando R$ 132 milhões. Em 2019, a PF deflagrou uma operação com mandados de busca e apreensão contra Lulinha. Contudo, em 2022, a Justiça Federal de São Paulo arquivou a investigação, baseando-se na suspeição do então juiz Sergio Moro pelo STF, o que invalidou as provas obtidas por quebras de sigilo fiscal, bancário e telefônico.